Jesus é Suficiente

Posted in Vida Prática on 19/01/2015 by Roberto Aguiar

William MacDonald

 “…Cristo é tudo em todos” (Colossenses 3.11)

Entre nós cristãos existe a tendência de gastar grande parte do nosso tempo buscando novas experiências espirituais, que de alguma forma nos garantam vitória permanente ou libertação dos altos e baixos da vida diária.

Corremos para participar de congressos, conferências, seminários e workshops na procura por alguma fórmula mágica enganosa que afaste os problemas de nossa vida.

Prospectos impressos em papel de alto brilho nos asseguram que o Dr. Fulano de Tal compartilhará com o público as suas revolucionárias descobertas que nos deixarão “radioativos” de tão “cheios” do Espírito Santo.

Um vizinho zeloso quer nos arrastar a todo custo para o auditório da cidade para ouvir a respeito de uma recém-descoberta fórmula que abrevia o caminho para uma vida transbordante.

As ofertas sedutoras são muitas. Um pregador faz propaganda do caminho real para a plenitude. Outro corteja seus ouvintes com o tríplice segredo da vitória. Aí nos oferecem um seminário sobre as chaves para uma vida mais profunda. Na semana seguinte há um congresso falando dos cinco passos para a santificação.

Seguimos o apelo ao altar e corremos à frente para recebermos a plenitude do Espírito Santo. Ou temos tanto anseio pela cura do corpo como se ela fosse a coisa mais importante da vida. De repente somos atraídos pela psicologia cristã e no momento seguinte achamos que a solução é a cura das memórias. Percorremos terras e mares em busca de novas alturas espirituais.

Sem dúvida, muitos desses pregadores são sérios e muitas coisas que dizem têm algum valor. Mas quando retornamos à nossa rotina diária constatamos que não há uma auto-estrada rápida e confortável até a santificação. Percebemos que os problemas continuam a existir e que precisamos viver dia após dia na dependência do Senhor.

Finalmente, deveríamos aprender que é melhor nos ocupar com o Senhor Jesus do que com experiências. Jesus não decepciona nunca. Tudo o que precisamos temos nEle e através dEle. Ele é Aquele que nos dá abundância plena em tudo.

A.B.Simpson (1844-1919), (fundador americano da CMA, um movimento missionário mundial) passou os anos iniciais de sua vida procurando por experiências, mas estas não o satisfizeram. Então escreveu o maravilhoso hino com o título “Ele mesmo”, cuja primeira estrofe e coro dizem:

Antes era a bênção, agora é o Senhor.

Antes era a emoção, agora é Sua Palavra.

Antes queria Seus dons, agora me alegro no Doador.

Antes eu buscava a cura, agora a Ele somente.

Tudo em tudo e para sempre, Jesus!

Eu quero cantar: Tudo em Cristo,

tudo é Cristo!

 

William MacDonald (7/1/1917 – 25/12/2007) viveu na California–EUA, onde desenvolveu seu ministério. Sua ênfase era de ressaltar com clareza e objetividade os ensinamentos bíblicos para a vida cristã, tanto nas suas pregações como através de mais de oitenta livros que escreveu.

A Oração de Vitória

Posted in Vida Prática with tags , , on 30/11/2014 by Roberto Aguiar

No devido tempo, para se apresentar a oferta de manjares, aproximou-se o profeta Elias e disse: Ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, fique, hoje, sabido que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo e que, segundo a tua palavra, fiz todas estas coisas. Responde-me, Senhor, responde-me, para que este povo saiba que tu, Senhor, és Deus e que a ti fizeste retroceder o coração deles. Então, caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e a terra, e ainda lambeu a água que estava no rego. O que vendo todo o povo, caiu de rosto em terra e disse: O Senhor é Deus! O Senhor é Deus! Disse-lhes Elias: Lançai mão dos profetas de Baal, que nem um deles escape. Lançaram mão deles; e Elias os fez descer ao ribeiro de Quisom e ali os matou” (1 Rs 18.36-40).

Na vida de Elias vemos uma representação da oração de vitória. Sua oração venceu e derrotou o inimigo. Quem era esse inimigo? Era Baal com seus sacerdotes, o ídolo e seus servos. Eles haviam desviado o povo da genuína devoção ao Senhor, se apossado do coração de Israel e arrastado o povo a servir ao Senhor pela metade, de coração dividido. Toda a terra estava infestada com esse pecado. É uma boa imagem das forças do mal que nos cercam e que infestam o mundo todo. São os poderes das trevas que nos tentam à preguiça, à incredulidade e à paixão pelo mundo, à idolatria, a uma vida cristã pela metade e a seguirmos ao Senhor de coração dividido. Preste atenção: Elias derrotou o inimigo. Como? Através da oração! Tornemo-nos pessoas que oram! Todos os inimigos ao nosso redor são obrigados a fugir diante da santa majestade da presença de Deus, que se revelará pelas nossas orações. E o Deus de Elias vive ainda hoje!

Como era a oração de Elias?

1.Era uma oração concreta

A oração precisa e específica abriga um grande mistério! O Senhor Jesus nos diz que não devemos usar de vãs repetições, ou seja, não devemos usar muitas palavras, como fazem os gentios. Ele está querendo dizer que nossas orações devem ser claras e centradas no alvo, que devemos orar especificamente pelo que está em nosso coração. Muitos vivem dentro de uma bolha de religiosidade, usam um vasto repertório de palavras e frases feitas quando se dirigem ao Senhor, e quando se erguem de seus joelhos já não sabem o que oraram e quais foram, de fato, seus pedidos ao Senhor. Aprenda você também a orar concretamente. Uma oração concreta não é nada mais do que contar com a presença do Salvador vivo, poderoso para interferir e ajudar neste exato momento. Elias disse: “fique, hoje, sabido que tu és Deus em Israel”.

2. A oração de Elias tinha a motivação correta

A motivação mais profunda do coração de Elias nem era em primeiro lugar a conversão do povo, mas a honra do Senhor. Ele diz: “fique, hoje, sabido que tu és Deus em Israel… e no versículo 37: “Responde-me, Senhor, responde-me, para que este povo saiba que tu, Senhor, és Deus… A ardente paixão da vida de Elias era a glória de Deus e a honra ao Seu nome. Então, no versículo 37 lemos o que ele diz: “…e que a ti fizeste retroceder o coração deles”. É muito bom que você ore pela conversão de sua esposa, de seu esposo ou de seu filho, mas… por que você quer mesmo que eles se convertam? Sua resposta é: para que não continuem perdidos? Então, preciso lhe dizer que essa é uma motivação pouco profunda. Mesmo que o Senhor, em Sua graça, ouça os seus pedidos, a resposta é adiada e freada pela sua motivação egoísta. Sim, é muito importante que seus queridos não se percam. Há mulheres que oram pela conversão de seus maridos, mas muitas vezes a motivação mais profunda de seu coração é ter uma vida mais fácil e usufruir a companhia do marido na hora de ir à igreja, e não a glória de Deus em primeiro lugar. Como Deus é paciente! Quando você orar pelos seus familiares, o impulso prioritário deveria ser: “Senhor, Teu Nome está sendo blasfemado pela vida perdida de meu esposo (ou de meu filho, etc). Por favor, salva-o para que Tu sejas honrado e glorificado e para que Tu recebas o fruto do penoso trabalho de Tua alma”. A glória do Senhor deve ser o alvo supremo de nossas orações.

3. A oração de Elias estava embasada na absoluta certeza de ser atendido

Como é que ele podia ter a certeza de que o Senhor atenderia imediatamente sua oração curta e simples? Ele poderia fazer papel de ridículo na frente dos sacerdotes de Baal. Todos olhavam atentos e tensos esperando o resultado. Creio que a certeza de Elias advinha de sua completa obediência ao Senhor. Em sua oração ele clama: “fique, hoje, sabido que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo e que, segundo a tua palavra, fiz todas estas coisas”. Em outras palavras ele disse: “Senhor, não estou aqui por iniciativa minha. Fiz tudo o que me ordenaste fazer. Agora, faze Tu o que eu não consigo fazer”.

Nós podemos orar vitoriosamente, podemos dar o primeiro passo de fé quando nos encontramos em solo sagrado, ao pé da cruz.

Vemos como é decidida a vida de obediência de Elias nas suas atitudes e ações visíveis: primeiro, ele não teve a coragem de orar como orou antes que o altar do Senhor, que estava em ruínas, tivesse sido restaurado (v.30). Ele encontrava-se em solo sagrado, perto do altar. Portanto, nós igualmente podemos orar vitoriosamente, podemos dar esse primeiro passo de fé somente quando nos encontramos em solo sagrado, ao pé da cruz. Se continuamente entregamos nosso velho homem à morte em Jesus, podemos dizer: “Senhor, fiz tudo conforme a Tua Palavra”.

Em segundo lugar, Elias somente começou a orar quando era tempo de trazer a oferta de manjares (v.36). Que ilustração maravilhosa, se pararmos para pensar que a oferta de manjares era um dos cinco sacrifícios do Antigo Testamento onde não havia derramamento de sangue. A oferta de manjares é uma indicação da vida de Jesus, que não precisava de sangue para sua própria expiação pois não tinha pecado. A Carta aos Hebreus diz que “nos temos tornado participantes de Cristo” (Hb 3.14). Portanto, deveríamos nos identificar com a oferta de manjares, com a vida de Cristo, pois assim diz o Senhor: “Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (Lv 19.2b). Estar em solo sagrado, estar ao pé da cruz e viver conscientemente uma vida de santificação é a expressão prática de nossa obediência a Deus, através da qual o Senhor atende nossas orações e envia fogo do céu. Por essa razão João diz em sua primeira carta, no capítulo 3.22: “e aquilo que pedimos dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável”. Lembremos que Elias, como também o diz Tiago, era um homem como nós. Mas Elias era tão poderoso em oração porque fazia o que o Senhor queria. Você já conhece o resultado triplo da oração de Elias?

Quando Elias orou…

1. O fogo do Senhor caiu e consumiu tudo, não apenas o sacrifício, mas inclusive as coisas materiais: a lenha, pedras, terra e água. Como é maravilhoso quando aprendemos a orar como Elias orava: estar em solo sagrado, ao pé da cruz, com vidas santificadas! Então, o Senhor aceitará nossa oferta, e tudo o que é terreno será consumido por Seu fogo.

2. Através da oração de Elias o povo cego reconheceu o Senhor, pois exclamou: “o Senhor é Deus! O Senhor é Deus!” Se quisermos que este mundo endurecido e obstinado, religioso e cego para as coisas de Deus venha a reconhecer outra vez a glória do Senhor, é necessário que homens e mulheres orem como Elias.

3. Outra conseqüência da oração de Elias foi que, na mesma hora os inimigos teimosos, que seduziam e enganavam o povo, foram derrotados e aniquilados.

Já que o Deus de Elias vive e é o mesmo ainda hoje, eu pergunto: Quem quer orar como Elias? Você quer? Então ajoelhe-se e consagre-se ao Senhor agora mesmo!

Wim Malgo

 

Fonte: http://www.chamada.com.br

Os Números (Não) Mentem: Falácias Matemáticas

Posted in Livros que Somam with tags , , , , , , , , , , , , on 16/07/2012 by Roberto Aguiar

Quando se trata de enganar, o uso de números é a ferramenta mais eficaz para manipular o público. É o que defende Charles Seife, mestre em matemática pela Universidade de Yale e professor de jornalismo na Universidade de Nova York, no livro.

Segundo Seife, qualquer fraude ganha veracidade quando a matemática é empregada. As teses mais absurdas são “fundamentadas” em estatísticas questionáveis, e isso acontece com frequência.

“Nossa sociedade hoje está submersa em falsidades numéricas. Usando um punhado de técnicas poderosas, milhares de pessoas forjam números sem fundamentos e nos faz engolir inverdades”, acusa Seife.

Para compor o volume, o autor analisou diversas informações divulgadas pela imprensa mundial. A proposta da edição é desenvolver no leitor um ceticismo necessário para combater esses dados.

Na civilização ocidental, algarismos possuem uma força quase mística. Com essa arma, qualquer pessoa inescrupulosa pode interferir em eleições, promovendo ou derrubando candidatos, ou maquiar a eficiência de um produto.

Abaixo, leia um trecho do exemplar.

INTRODUÇÃO

“A mentalidade americana [e por consequência a mundial] parece extremamente vulnerável à crença de que qualquer conhecimento exprimível em números na verdade é tão definitivo e exato quanto as cifras que o expressam.”

Richard Hofstadter, Anti-Intellectualism in American Life

“Em minha opinião, o Departamento de Estado, um dos mais importantes do governo, está totalmente infestado de comunistas.” Mas não foram essas as palavras que, pronunciadas diante de um pequeno grupo de mulheres do estado da Virgínia Ocidental, projetaram o desconhecido senador do Wisconsin para o centro das atenções públicas. Foi a frase que vinha logo a seguir.

Brandindo um maço de papéis, o carrancudo Joe McCarthy conquistou seu lugar nos livros de história com uma afirmação impudente: “Tenho aqui em minhas mãos uma lista de 205. Uma lista de nomes, de conhecimento do secretário de Estado, que são membros do Partido Comunista e, apesar disso, continuam trabalhando e ditando os rumos no Departamento de Estado.”

Aquele número – 205 – foi como uma descarga elétrica que levou Washington a agir contra os comunistas infiltrados. Pouco importa que fosse mentira. A conta chegou a 207 e voltou a cair no dia seguinte, quando McCarthy escreveu ao presidente Truman dizendo: “Conseguimos compilar uma lista de 57 comunistas no Departamento de Estado.” Alguns dias depois, o número se estabilizou em 81 “riscos à segurança”. McCarthy fez um longo discurso no Senado, fornecendo mais detalhes sobre grande número de casos (menos de 81), mas não revelou dados suficientes para que se checassem as afirmações.

Na fato, não importava se a lista tinha 205, 57 ou 81 nomes. O simples fato de McCarthy associar um número às acusações lhes conferia uma aura de verdade. Será que o senador faria declarações tão específicas se não tivesse provas? Ainda que as autoridades da Casa Branca desconfiassem de um blefe, os números faziam com que elas duvidassem de si mesmas.¹ As cifras davam peso às acusações de McCarthy; eram muito sólidas, específicas demais para serem ignoradas. O Congresso foi obrigado a realizar audiências na tentativa de salvar a reputação do Departamento de Estado – e do governo Truman.

O fato é que McCarthy mentia. A força do discurso de McCarthy vinha de um número. Embora fosse uma ficção, aquilo conferia credibilidade às mentiras do senador, sugerindo que o maço de papéis em suas mãos estava cheio de fatos incriminadores sobre funcionários específicos do Departamento de Estado. O número 205 parecia uma “prova” sólida de que as acusações do parlamentar deviam ser levadas a sério.

Como sabia McCarthy, os números podem ser uma arma poderosa. Em mãos ágeis, dados adulterados, estatísticas fajutas e matemática ruim podem dar aparência de verdade à idéia mais fantasiosa, à falsidade mais acintosa. Podem ser usados para oprimir os inimigos, destruir os críticos e pôr fim à discussão. Algumas pessoas, aliás, desenvolveram uma habilidade extraordinária no uso de números forjados para provar falsidades. Tornaram-se mestres da falácia matemática: a arte de empregar argumentos matemáticos enganosos para provar algo que nosso coração diz ser verdade – ainda que não seja.

Nossa sociedade hoje está submersa em falsidades numéricas. Usando um punhado de técnicas poderosas, milhares de pessoas forjam números sem fundamentos e nos fazem engolir inverdades. Anunciantes adulteram números para nos convencer a comprar seus produtos, políticos manipulam dados para se reeleger. Gurus e profetas usam cálculos fraudulentos para nos fazer acreditar em previsões que parecem nunca se realizar. Negociantes usam argumentos matemáticos enganosos para tomar nosso dinheiro. Pesquisas de opinião fingem ouvir o que temos a dizer e usam falácias matemáticas para nos dizer em que acreditar.

Às vezes, essa gente recorre a essas técnicas para tentar nos convencer de bobagens e absurdos. Algumas pessoas, inclusive cientistas, já lançaram mão de números falsos para mostrar que, um dia, os velocistas olímpicos vão romper a barreira do som e que existe uma fórmula exata para determinar quem tem a bunda perfeita. Não há limites para o grau de absurdo das falácias matemáticas.

Ao mesmo tempo, esses truques têm consequências gravíssimas. Invalidam eleições, coroando vencedores sem legitimidade – tanto republicanos quanto democratas. Pior ainda, são usados para manipular os resultados de eleições futuras; políticos e juízes empregam cálculos distorcidos para influenciar distritos eleitorais e comprometer o recenseamento que determina quais americanos serão representados no Congresso. As falsificações numéricas, em grande medida, são responsáveis pela quase destruição de nossa economia – e pelo desaparecimento de mais de US$ 1 trilhão do Tesouro, que desceram pelo ralo. Promotores e magistrados recorrem a números enganosos para inocentar culpados e condenar inocentes – e até para sentenciá-los à morte. Em suma, a matemática ruim está solapando a democracia nos Estados Unidos.

A ameaça vem tanto da direita quanto da esquerda. Aliás, algumas vezes parece que a falácia matemática é a única coisa que une republicanos e democratas. Contudo, é possível reagir a ela. Quem já aprendeu a reconhecê-la consegue identificá-la em quase toda parte, enredando o público numa teia de falsidades evidentes. Os mais atentos encontram nesses truques uma fonte diária da maior diversão – e da mais negra indignação.

Quando conhecemos os métodos empregados na transformação de números em falsidades, ficamos imunizados contra eles. Quando aprendemos a remover as adulterações matemáticas do caminho, alguns dos temas mais controvertidos passam a ser simples e diretos. Por exemplo, a questão de quem de fato venceu a eleição presidencial de 2000, nos Estados Unidos, fica clara como água. (A resposta é surpreendente, e quase ninguém – nem Bush nem Al Gore, e quase nenhum dos eleitores dos dois candidatos – estaria disposto a aceitá-la.) Entenda as falácias matemáticas, e você será capaz de revelar muitas verdades encobertas por um nevoeiro de mentiras.

Autor: Charles Seife

Editora: Zahar / www.zahar.com.br

Páginas: 264

Quanto: R$ 38,90

O Autor

Antes de ingressar no Departamento de Jornalismo, Charles Seife era colunista da revista Science, especializado em física e matemática e tinha sido um correspondente dos EUA para a New Scientist. Ele é bacharel em matemática pela Universidade de Princeton, além de mestrado em matemática na Universidade de Yale, e um mestrado em jornalismo na Columbia University. Seus interesses de pesquisa incluem a ciência e o jornalismo matemático.

Seife trabalhou como freelance para o The Economist, Scientific American, The Philadelphia Inquirer, The Washington Post, The New York Times e outras publicações. Ele também é o autor de “Zero: A Biografia de uma Idéia Perigosa” (2000), que ganhou o 2000 PEN / Martha Prêmio Albrand para Nonfiction em primeiro lugar.

 

Fonte:

1 – Folha de São Paulo – http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/1117951-numeros-sao-usados-para-manipular-a-opiniao-publica-diz-matematico.shtml

2 – Instituto de Jornalismo da Universidade de Nova York  http://journalism.nyu.edu/faculty/charles-seife/

Antes do Último Dilúvio

Posted in Inteirações with tags , , , , , , , on 13/07/2012 by Roberto Aguiar

 

Por Norbert lieth

Sabemos que não haverá mais um Dilúvio para submergir toda a terra (Gn 8.21-22; Gn 9.11,15). Isso, porém, não significa que não virá um juízo global no futuro. Haverá, sim, um outro “dilúvio”, [não com água],  mas um terrível apocalipse de alcance mundial.

No Novo Testamento encontramos referências ao tempo de Noé: Mateus 24.37-39, Lucas 3.36 e 17.26-27, Hebreus 11.7, 1 Pedro 3.20, 2 Pedro 2.15 e 3.5-7. Além dessas, existem menções extra-bíblicas desse acontecimento: “O Dilúvio mundial dos tempos de Noé encontra paralelos em mais de 40 culturas, que não dispunham da Bíblia”.[1] A P.M. Perspective (uma revista científica alemã) escreveu recentemente acerca da possibilidade de um Dilúvio histórico: “De fato: em um processo judicial baseado em indícios, possivelmente as provas seriam suficientes [para confirmar o relato bíblico].”[2]

Chama a atenção:

1. O mundo do tempo de Noé não sucumbiu por causa da poluição ambiental ou pelo aquecimento global, mas devido à maldade da humanidade, que havia renunciado a Deus. Os tempos finais também serão caracterizados pela rejeição a Deus por parte da maioria das pessoas.

2. As declarações sobre o fim dos tempos conectam diretamente o tempo de Noé (Dilúvio) com o tempo de Ló (Sodoma e Gomorra) (Lc 17.26-29; 2 Pe 2.4-9; comp. Jd 6-7). Não devemos perder de vista essa conexão.

3. Os dois eventos (Dilúvio e juízo de fogo) foram transcritos para a posteridade explicitamente como exemplos de alerta. Pedro enfatiza esse aspecto (2 Pe 2.6) e Judas também o faz (Jd 6-7). Isso significa que, nos tempos finais, teremos uma situação semelhante à daquela época. Os últimos tempos serão dominados por poderes espirituais como foram os tempos de Noé e Ló: “Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem” (Mt 24.37).

4. Penso que tanto Noé como Ló não apontavam acusadoramente para sua geração nem sentiam satisfação ou desejo de vingança, mas comunicaram de forma convicta e amorosa a mensagem de Deus às pessoas ao seu redor, falando do juízo que se aproximava:

– Noé, seu nome significa “pregador da justiça” (2 Pe 2.5) e não “pregador da vingança”.

– Ló sentia-se “afligido pelo procedimento libertino daqueles insubordinados”. Ele atormentava a sua alma justa. Implorava que seus contemporâneos se voltassem para Deus (2 Pe 2.7-8; Gn 19.14).

Tanto Noé como Ló não apontavam acusadoramente para sua geração nem sentiam satisfação ou desejo de vingança, mas comunicaram de forma convicta e amorosa a mensagem de Deus às pessoas ao seu redor, falando do juízo que se aproximava

A Igreja de Jesus não se compraz com a impiedade, mas também não reage com dureza, com desamor ou ameaças, que têm sua origem em uma religiosidade impiedosa e legalista. A Igreja sofre, se atormenta, derrama lágrimas. Ela suporta dores e sente muito quando vê o mal acontecendo, e então suplica e intercede pela salvação dos perdidos – como fazia Ló (Gn 19.7-14).

5. O fato de o mundo de antes de Noé ser chamado de “o mundo daquele tempo” (2 Pe 3.5-7) significa que hoje nos encaminhamos para uma segunda terra e um segundo céu. Hoje nossa terra tem características diferentes das que tinha antes do Dilúvio.

Existe a terra de antes do Dilúvio (a primeira), a terra de depois do Dilúvio (a segunda, atual), e futuramente haverá um novo céu e uma nova terra (os terceiros). Conforme 2 Coríntios 12.2-4, o apóstolo Paulo foi arrebatado até o terceiro céu, ao paraíso. Por isso, falamos sempre, de forma automática, de três esferas celestiais: (1) o céu das nuvens; (2) o Universo, e (3) o céu onde Deus habita. Mas isso é obrigatoriamente assim? Talvez, ao referir-se ao terceiro céu, ao paraíso, Paulo estava simplesmente falando do terceiro céu na seqüência: (1) pré-diluviano, (2) pós-diluviano, e (3) futuro (o novo céu que nos espera).

O juízo por meio da água no princípio da história da humanidade é uma imagem do juízo futuro por meio do fogo no final da história da humanidade (2 Pe 3.5-7).

O exemplo de Noé no começo dos tempos

O mal passa a ser encarado como perfeitamente bom e normal

Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas, vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram. Então, disse o Senhor: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos. Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na antigüidade” (Gn 6.1-4).

Aqui, os filhos de Deus, não são homens, mas anjos (veja Jó 1.6; Sl 29.1; Sl 89.7). Os homens (v.1) tiveram filhas – portanto, filhas humanas –, e a elas vieram os “filhos de Deus” (v.2). A diferença entre “filhos de Deus” e “filhas dos homens” é ressaltada claramente. Se a expressão “filhos de Deus” se referisse a homens, teria de estar escrito “filhos dos homens”, assim como o texto fala das “filhas dos homens”. Pessoas são chamadas de filhos dos homens (Sl 62.9). Por exemplo, Ezequiel e Daniel são chamados de “filho do homem” (Ez 2.1; Dn 8.17). O Senhor Jesus Cristo foi ambos: Filho de Deus, título que acentua Sua divindade, e Filho do Homem, que atesta sua vinda como homem através de Maria (Mt 8.20,29).

Judas também deixa evidente que a designação “filhos de Deus” não diz respeito a pessoas, mas a anjos caídos: “e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia” (Jd 6; comp. 2 Pe 2.4-5; Jó 1.6; 1 Rs 22.19-23).

Em Gênesis 6.4 está escrito: “…naquele tempo havia gigantes (“nephilim”) na terra …estes foram valentes, varões de renome, na antigüidade.” A palavra hebraica “nephilim”, traduzida por “gigantes” tem um significado bastante interessante: quer dizer gigantes, heróis, celebridades. Isso indica pessoas que têm influência, e a palavra deriva de uma raiz que significa “cair”. São os “caídos” que levam outros a cair; dominadores, controlados por demônios, que caem e levam outros consigo.

Observemos nosso mundo: grandes personalidades enganadas, celebridades seduzidas, no meio financeiro, nos negócios, na indústria do entretenimento e na política levam nossa sociedade à queda. E aos olhos de muitos desses “gigantes” os cristãos fiéis à Bíblia parecem representar um perigo maior que organizações criminosas.

A época de Noé era um tempo extraordinariamente marcado por domínio demoníaco. E no tempo de Noé também havia oposição veemente contra a ação do Espírito Santo. Tudo era tolerado, tudo era permitido, as mentes eram liberais e abertas para tudo, menos para o que vinha do Espírito Santo, que era rejeitado.

Coisas que há poucas décadas ainda eram tabu ou rejeitadas por serem perversas estão onipresentes na cena cotidiana e completamente integradas na vida da sociedade. Elas já se tornaram tão comuns que aqueles que se manifestam contrários são condenados e considerados anormais.

Então, disse o Senhor: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos” (Gn 6.3). A era anterior ao Dilúvio foi caracterizada por uma marcante ação do Espírito Santo e menos por ordenanças da Lei. Foi uma era de extraordinária graça, da qual as pessoas abusaram impiedosamente. Elas resistiam ao Espírito Santo de Jesus, que já pregava àquele mundo através da pessoa e das palavras de Noé (1 Pe 3.18-20). E agora, em Gênesis 6.3, Deus está dizendo que, depois de 120 anos, a graça iria ser suspensa, retirando-se e dando lugar ao juízo.

Um cenário semelhante se repetirá logo antes do “dilúvio apocalíptico”. O Espírito Santo, que hoje ainda atua através da graça, conforme 2 Tessalonicenses 2.6-7 será retirado juntamente com a Igreja de Jesus antes do juízo, para que este se abata sobre a humanidade. Isso indica que esta era que antecede esse “dilúvio apocalíptico” se encerrará da mesma forma que a era anterior ao Dilúvio no passado. Arnold Fruchtenbaum explica: “Os dias de Noé são um tempo comparável aos dias que antecederão o Arrebatamento”.[3]

A geração de Noé chegou a um ponto em que o mal e tudo o que era injusto e pecaminoso dominava o dia-a-dia como estilo de vida normal. Os valores haviam sido invertidos. O mal foi elevado à posição de bem, de útil, enquanto o bem, que o Espírito Santo queria produzir, passou a ser declarado como mal e era rejeitado. “Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra” (Gn 6.12; comp. v.5).

Diariamente observamos que nosso tempo é dominado por forças demoníacas (nos filmes, na religião, através da Nova Era, do esoterismo, da Teoria da Evolução, pelo surgimento de novos deuses…), e percebemos que o povo se volta contra a Palavra de Deus e se opõe à ação do Espírito Santo. O mal passa a ser encarado como perfeitamente bom e normal. Coisas que há poucas décadas ainda eram tabu ou rejeitadas por serem perversas estão onipresentes na cena cotidiana e completamente integradas na vida da sociedade. Elas já se tornaram tão comuns que aqueles que se manifestam contrários são condenados e considerados anormais.

Ao analisarmos o tempo de Noé, fica evidente que o pecado se avoluma até a corrupção total (Gn 6.5,12) e que existe um amadurecimento para juízo, quando a medida da iniqüidade estará cheia (Gn 15.16; 13.13; 18.20; Jd 7). Esse é o caso quando a lei de Deus não apenas é quebrada (no sentido de não ser obedecida), mas rompida completamente (rejeitada radicalmente e declarada nula).

Pregações bíblicas e citações bíblicas são rejeitadas como absurdas, ridicularizadas e sujeitas a zombaria. As leis estão sendo distorcidas a ponto de se tornar cada vez mais fácil acusar o cristianismo decidido.

Os exemplos a seguir são sintomáticos dessa tendência:

Na Igreja Luterana dos EUA decidiu-se no ano passado que o ministério pastoral poderá ser exercido por pessoas que vivem em relações homossexuais. Essa regulamentação deverá entrar em vigor em 2010. Uma pastora declarou a respeito: “Creio que fomos além do que Deus permite”. A ironia foi que uma tempestade derrubou a cruz da torre da igreja luterana central onde estava sendo tomada essa decisão.[4]

Na Holanda existe uma banda chamada “Devil’s Blood” (“Sangue do Diabo”). Em seus shows os integrantes derramam 20 litros de sangue de porco no palco. Um deles declarou: “O sangue de animais é, para nós, a possibilidade de levar a morte até o palco e para nos tornarmos menos humanos. Um caminho para fazer desaparecer nossa própria identidade e nossa personalidade, para sermos espíritos…”.[5]

Um grupo esotérico alemão chamado “Obreiros da Luz” é extremamente ocultista e busca o contato com o além para liberar energias ocultas. Os “obreiros” esperam “uma luz nova e consciente que adentrará esta existência pela primeira vez”. Essa luz traria paz e cura para o mundo e conduziria a humanidade “à mudança global, impulsionando-a no caminho de volta para a Unidade”. Um dissidente que abandonou essa seita, advertiu seriamente em seu site na internet a respeito do grupo: os auto-intitulados “obreiros da luz” são médiuns de “pretensos anjos, entes de luz ou irmãos de luz extra-terrenos”. Eles representam a porta de entrada ideal para forças ocultas.[6]

Enquanto isso, pregações bíblicas e citações bíblicas são rejeitadas como absurdas, ridicularizadas e sujeitas a zombaria. As leis estão sendo distorcidas a ponto de se tornar cada vez mais fácil acusar o cristianismo decidido. Hoje chegamos ao ponto de quase precisarmos nos envergonhar ao apenas mencionarmos que Deus vai julgar os impuros e adúlteros (Hb 13.4). Quando proclamamos essas verdades atualmente, tornamo-nos ridículos aos olhos do mundo. Isso não cabe mais na nossa sociedade, pois é “antiquado”. Mas é justamente nisso que reconhecemos o quanto nosso tempo é igual ao tempo de Noé!

O exemplo de Noé no meio dos tempos

Aproximadamente 2.500 anos depois do Dilúvio veio o Salvador, a arca da salvação eterna. Aquele em cujo Espírito Noé agira (1 Pe 3.18-20) veio em carne e sangue. Mesmo estando o amor de Deus presente no mundo através da Pessoa de Jesus – a graça, o perdão, a misericórdia e justiça plenas –, o próprio Jesus já teve de anunciar o juízo do fim dos tempos. Ele usou o tempo de Noé e de Ló como exemplos do tempo antes de Sua volta: “Assim como foi nos dias de Noé, será também nos dias do Filho do Homem: comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e destruiu a todos. O mesmo aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre e destruiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do Homem se manifestar” (Lc 17.26-30).

Algumas coisas chamam nossa atenção nessas palavras de Jesus:

1. A conexão estreita entre a história de Noé e a história de Ló. Portanto, os tempos finais são muito semelhantes tanto ao tempo de Noé como ao tempo de Ló.

2. A despreocupação das pessoas daquela época com as coisas espirituais. “Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã; soberba, fartura de pão e próspera tranqüilidade…” (Ez 16.49). A vida social girava unicamente em torno das coisas da vida terrena. O centro era o bem-estar e o conforto de cada um. Em palavras de hoje, diríamos que as preocupações são o clima, a alimentação, vitaminas, saúde, dicas para viver bem, conselhos sobre finanças, etc. A preocupação daquela época eram as coisas seculares, não as celestiais; as temporais, não as eternas; as mundanas, não as espirituais.

A saúde tem se tornado uma poderosa religião contemporânea para muitos

A saúde, por exemplo, tem se tornado uma poderosa religião contemporânea. “O anseio por saúde [obsessivo], tem adquirido cada vez mais os traços de uma religião, [de um fanatismo religioso]. Essa é a opinião do médico e teólogo Manfred Lütz (de Colônia, na Alemanha). (…) Muitos ‘correm pelas florestas e comem grãos para acabar morrendo saudáveis’, afirmou Lutz durante uma palestra. Onde havia catedrais, erguem-se agora academias de ginástica. A religião da saúde seria a mais poderosa de todos os tempos e apresentaria marcas de totalitarismo. Lütz disse: ‘Enquanto se pode fazer qualquer brincadeira acerca de Jesus, não se pode fazê-lo quando o assunto é saúde’. Além disso, ela seria mais cara do que todas as outras religiões. (…) A mania da vida saudável já teria alcançado grande parte das igrejas, disse o autor de diversos best-sellers (…) ‘Enquanto no passado se jejuava para se privar do alimento, hoje se jejua para se chegar bem tarde, e bem saudável, ao céu’. A saúde seria um grande bem para os cristãos, mas ‘não o bem supremo’, segundo Lütz. Ao invés de viver prevenindo doenças, os cristãos deveriam gozar cada novo dia como um presente divino”.[7]

Como são modernas as palavras de Jesus! Abri o jornal e selecionei alguns títulos da programação da TV. Essa lista demonstra o quanto são atuais as palavras de Jesus acerca dos tempos finais. Hoje estamos vivendo exatamente dentro daquilo que foi dito acerca dos tempos de Noé e de Ló. E ainda existe quem tenha a coragem de dizer que a Bíblia está ultrapassada! Fiquei impressionado com a quantidade de programas sobre preparo de receitas, alimentação saudável e saúde. A passagem bíblica que diz que as pessoas da época de Noé e Ló “compravam, vendiam, plantavam e edificavam” tem seu pleno cumprimento nos nossos dias – o que comprovei lendo os títulos dos programas oferecidos na área de finanças e comércio. Outra característica dos tempos passados que se repete hoje é a de que “casavam e davam-se em casamento”. Programas de namoro, casamentos, descasamentos, novos relacionamentos – a vida privada ocupa o centro das atenções. Mas isso não é tudo. A declaração de Jesus “casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que…”, dá o que pensar! Buscar um parceiro pela internet ou através de agências de casamento virou moda. “Por razões que não cabem aqui, parece que hoje ninguém mais conhece alguém na rotina da vida diária. Por isso, florescem as agências de namoro, de preferência protegidas pela anonimidade da internet”.[8]

A maior parte do que acabamos de listar não é pecado. Mas quando Deus é excluído e quando a salvação em Jesus é rejeitada, quando o homem é movido apenas pelo que é temporal, então tudo isso passa a ser um sinal dos tempos finais.

“Deixe-nos em paz” foi a reação do povo daquela época, e é o que se ouve também hoje. “Deixem-me em paz com esse assunto de apocalipse”, “Vocês são muito catastrofistas!”, “Vocês só querem atrapalhar a minha vida”, “Vocês são fanáticos religiosos”, “Vocês são tão negativos, os desmancha-prazeres da sociedade”. Mas por que a taxa de suicídios e as tragédias aumentam tanto? Por que as clínicas psiquiátricas estão lotadas? Por que nunca houve tanta necessidade de remédios controlados como nos últimos anos? Por que a insatisfação, o medo e a insegurança pairam sobre nossa sociedade como uma névoa escura, uma vez que tudo seria tão bom sem Jesus?

3. Nas épocas de Noé e Ló vemos que não era a multidão que estava com a razão. A maioria de então estava errada, e a minoria (Noé e Ló) é que estava certa. No final, Deus terá razão, Sua Palavra será decisiva – não a opinião da maioria, que diz: “Mas todo mundo faz isso! Isso deve ser correto, já que todos o fazem! É o que a mídia diz…”.

Você sabe qual foi a última afirmação do Senhor Jesus antes de começar a falar do tempo de Noé? “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão. Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus; nem o Filho, senão o Pai. Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem” (Mt 24.35-37).

A Palavra de Deus é garantida e irrevogável. Mesmo que ninguém saiba o dia ou a hora, temos um ponto de referência na semelhança entre a nossa época e o tempo de Noé.

O exemplo de Noé para os tempos finais

Encontramo-nos diante do último dilúvio de juízos apocalípticos. O fogo do juízo divino virá. Ajudamos a construir a “arca” da Igreja? Alertamos para o que está por vir?

Nosso tempo está diante de um novo dilúvio, não de água mas o dilúvio do Apocalipse, dos juízos dos selos, das trombetas e dos flagelos. Então os céus e a terra serão novamente abalados (comp. Ap 16.20-21). E após esses juízos catastróficos, haverá um novo céu e uma nova terra, nos quais habita justiça (2 Pe 3.13; Ap 21).

O tempo de Noé e Ló mostra-nos que o Arrebatamento está próximo. Noé é chamado por Pedro de “pregador da justiça”, enquanto Ló é chamado apenas de “justo” (2 Pe 5.7). Essa diferença tem algum significado à luz da profecia?

Noé, o pregador da justiça, teve de passar pelo juízo, mas foi protegido em meio a ele. Essa é uma ilustração de Israel. Foi Israel quem proclamou a justiça em Jesus a nós (Rm 9.4-5).

Ló é chamado de “o justo”. Ele foi poupado do juízo, salvo antes da destruição. Representa figuradamente a Igreja. Tornamo-nos justos pela proclamação da justiça por Israel (simbolizado por Noé). Como Ló, porém, a Igreja vive no meio de um mundo cheio de injustiça, mas ela crê e será salva antes do juízo (2 Pe 2.7-9). Assim como Deus salvou o justo Ló, também pode livrar da provação todos os que O temem.

Ló foi salvo sendo tirado do lugar da tentação e da provação ao ser literalmente arrancado de Sodoma (Gn 19.16-17,22). Da mesma forma, a Igreja será salva do lugar da tentação, salva deste mundo, ao ser arrebatada antes do dilúvio apocalíptico. Pois, se apenas os injustos serão preservados para o dia do juízo, então obrigatoriamente os justos serão livrados de passar por esse dia (1 Ts 5.1-10).

Encontramo-nos diante do último dilúvio de juízos apocalípticos. O fogo do juízo divino virá. Somos como Noé, pregadores da justiça? Somos tementes a Deus como ele? Somos obedientes como ele era? Fazemos tudo o que podemos para transmitir à nossa geração a justiça que tem valor diante de Deus? Ajudamos a construir a “arca” da Igreja? Alertamos para o que está por vir?

Notas:

  1. Das 1. Buch Mose (O Livro de Gênesis), Arnold Fruchtenbaum, CMD, p. 209
  2. P.M.Perspektive, 4/2009, p. 25.
  3. O Livro de Gênesis, p. 141.
  4. Idea-Spektrum, 36/2009.
  5. Topic, 10/2009.
  6. Topic, 9/2009.
  7. Topic, 9/2009, p.6.

Fonte:  www.chamada.com  Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, julho de 2010. Revista mensal que trata de vida cristã, defesa da fé, profecias, acontecimentos mundiais e muito mais.

Higienização ou Santificação?

Posted in Reflexão Ácida with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 01/05/2012 by Roberto Aguiar

Por Bob DeWaay

Um leitor me telefonou recentemente e explicou como ele viu igrejas se afastarem da Bíblia através da implementação de vários programas e métodos para se ter uma vida melhor. Ele fez uma declaração intrigante: “Esses programas não santificam, eles higienizam”. E ele estava absolutamente certo sobre isso. Deixe-me descompactar essa idéia e mostrar a partir da Escritura como isso funciona.

É possível usar a sabedoria humana e programas que se baseiam em bons conselhos, a fim de ajudar as pessoas a alcançarem uma vida melhor. É possível transformar um alcoólatra num homem sóbrio, um marido abusivo em um ser atencioso e carinhoso, um jogador compulsivo que rasga o dinheiro da família, em uma pessoa focada em dar uma vida confortável para os seus, uma pessoa infeliz a se tornar feliz. Tudo isso pode ser feito sem nenhum trabalho especial da graça de Deus. Na verdade, isso pode ser feito sem religião nem fé.

Uma vez ouvi um debate entre dois professores universitários, um ateu e outro cristão. No final do debate, o ateu fez uma declaração interessante. Ele disse: “Você não precisa de um Deus ou religião para ter uma vida boa e feliz. Fui casado por muitos anos, tive filhos e netos maravilhosos, vivi uma vida moralmente correta, e não poderia querer mais nada da vida, sou um homem realizado. Eu não preciso de religião e nem você.” Infelizmente, muitos cristãos têm redefinido, mudado tanto o caráter do cristianismo que simplesmente não saberiam como responder a tal declaração. A verdade é que muitas pessoas são felizes, levam uma vida relativamente correta moralmente falando, e isso tudo sem Deus. Mas o que não podem obter é legitimidade diante do Deus Santo que criou o universo.

Quando o cristianismo se reduz a uma melhora de vida através da religião, ele não pode oferecer nada mais do que os programas de alguns ateus já têm. Isso é explícito em igrejas que enchem sua programação com seminários, encontros e pregações destinados a ajudar as pessoas a resolverem os problemas da vida através da revelação geral. O que chamo de “Revelação Geral” é o montante do conhecimento humano, colhido através de séculos de experiência social, e que está disponível para todos através dos meios normais do conhecimento. Todas as sociedades têm os seus próprios aforismos, uma espécie de sabedoria social, que passam ao longo dos tempos os seus “bons conselhos”. Não é pecado dar às pessoas bons conselhos recolhidos a partir da revelação geral, mas também não podemos confundir esses conselhos com ordenanças de Cristo.

“Ensinando-os a observar tudo quanto vos ordenei” ( Mateus 28:20).

Duas diferenças fundamentais dos bons conselhos sociais dos mandamentos das Escrituras:

1) Um bom conselho pode ser ignorado.

2) Um bom conselho não é santificação, não significa obedecer a Deus.

O ateu com uma boa família e uma vida feliz é claramente uma pessoa não santificada. O termo “santificação” significa ser feito santo. Segundo a bíblia, o individua que renuncia ao seu ponto de vista pessoal e ao da sociedade, e concede que apenas a palavra de Deus dirija a sua vida, é considerado santo, e portanto,  bem visto aos olhos de Deus. A bíblia também informa que a Santidade não pode ser adquirida a partir da revelação geral. Portanto, aqueles que são ajudados por bons conselhos extraídos da sabedoria humana, podem ser higienizados, o que significa ter uma vida humanamente equilibrada, mas a menos que se arrependam e creiam no evangelho, nunca serão santificados. A santificação vem através da redenção pelos meios da Graça. Paulo escreveu:

“Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; Para que, como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor. I Coríntios 1:30-31

Aquele ateu estava ostentando seu orgulho pessoal contra o Senhor, baseado no sucesso da aplicação da sabedoria humana! Mas o cristão só pode se orgulhar do Senhor, pois seu equilíbrio espiritual, que é o que realmente conta, depende exclusivamente de Deus.

A aplicação da sabedoria humana pode produzir muitos clientes satisfeitos. Um pastor local, conhecido por pregar o evangelho da prosperidade, foi exposto em um jornal local de uma cidade pelo seu luxuoso estilo de vida e possível desapropriação de fundos da igreja. Um de seus membros escreveu uma carta ao editor do jornal defendendo o pastor. O autor da carta citou todas as mudanças positivas que aconteceram desde de que passou a frequentar a dita igreja daquele pastor: uma família melhor, finanças melhor, libertação do vício e assim por diante. Mas ele não mencionou nada que fosse característico ao cristianismo. Algumas pessoas que acreditam que o evangelho de Jesus produz saúde e riqueza, na verdade poderão se tornarem saudáveis e prósperas materialmente, mas o que elas não observam é que assim também são as vidas de muitos ateus.

Muitas igrejas simplesmente desistiram de pregar a salvação e a santificação e se estabeleceram como uma espécie de “agência” para a higienização limpa e feliz da vida “cristã”, sem levar em conta a santidade aos olhos de Deus. Paulo fala sobre isso em Colossenses:

“Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne”. Colossenses 2:20-23

O “limpo” pecador ainda é “carnal”, porque a única alternativa para a carne é o Espírito, e as pessoas não recebem o Espírito pelas obras da lei:

“Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”. Colossenses 3:2-3

Observe que não há artigo definido no grego com relação a palavra “lei” no sentido de mosaica. Isso significa que Paulo não está se referindo especificamente as “obras da lei” judaica, mas a qualquer regra de vida que possa existir. Isso significa que as pessoas não recebem o Espírito Santo por se deixarem moldar por bons programas, filosofias humanitárias, ou qualquer outro conhecimento que as leve a ter uma vida socialmente equilibrada.

Esse detalhe se aplica a qualquer pessoa sem o Espírito Santo, consequentemente não salva e santificada:

“Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.”  Romanos 8:4-8

 Se aplica a qualquer pessoa sem o Espírito de Deus, motivada 100% pela natureza humana:

“Porque tudo o que há no mundo, o desejo da natureza humana, o que os olhos desejam e o orgulho da vida, não é de Deus, mas do mundo. E o mundo passa, e os seus objetos de desejo também; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” I João 2:16-17

Uma pessoa pode ser capaz de fazer uma higienização de seus desejos através da sabedoria humana, através de um programa, mas ninguém pode escapar das paixões do mundo, por qualquer meio, exceto por um trabalho da Graça de Deus através do evangelho. Leis, regras, programas ou filosofias, podem restringir o mal, mas não podem produzir santidade. Nós não podemos escapar da corrupção do mundo por outros meios que não sejam as promessas de Deus encontrados na Bíblia.

“Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que peles desejos há no mundo.” II Pedro 1:4

Sendo este o caso, por que tantas igrejas encheram seus sermões e programas com idéias recolhidas através da revelação geral, se cercando de uma multidão de bons conselhos sociais? A resposta se encontra provavelmente na política de manutenção de seus membros. E a santificação é tão determinante assim? Claro, a Palavra de Deus ensina a santificar aqueles que são verdadeiramente salvos. Jesus orou:

“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” ( João 17:17 ).

Isso significa que Deus faz uma obra da Graça no interior das pessoas, e muda as motivações do coração e não apenas certos comportamentos.

“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” Hebreus 4:12

Nesse contexto o comportamento se altera de forma radical, porque a Bíblia contém instrução sobre a vida piedosa, que deve ser ensinada como elo de ligação a Deus. Estas instruções são comandos, não bons conselhos. Elas não podem ser ignoradas ou serem vistas como opitativas. Mas a boa notícia é que a Graça de Deus vem a nós através de Sua palavra, habilitando-nos  e motivando-nos a obedecê-lo há partir de um conceito racional espiritualizado.

A igreja torna-se cheia de pessoas que não foram salvas, quando ensinamentos e programas sobre “uma vida melhor através de Jesus”, se tornam a norma e não a pregação do evangelho e o ensino da Bíblia. Nessas igrejas as pessoas são atraídas ali para encontrar o tipo de vida que aquele ateu se gabava de ter. Elas realmente podem ter uma vida agradável e feliz através da sabedoria humana que lhes foi dispensada em nome do cristianismo, isso é um fato.

Mas a santidade é o que essas pessoas não poderão encontrar através da sabedoria humana. Santidade vem de uma obra da Graça, e não de uma decisão de mudar algumas coisas para melhor. Pecadores sem o evangelho, mas higienizados através de um programa de igreja, podem acabar em uma condição pior do que antes. Se, em nome do cristianismo, os problemas da embriaguez ou do casamento possam ir embora, aqueles que se beneficiaram podem pensar que são salvos, quando na verdade, eles estão higienicamente perdidos. Essa falsa segurança é perigosa, e caso não seja detectada, certamente levará à condenação eterna.

O fracasso da abordagem dos problemas humanos com os métodos humanos está em pressupor  que os seres humanos possuem a motivação e a capacidade correta de que necessitam, o que está lhes faltando simplesmente são instruções sobre como colocar para funcionar o potencial para o bem que eles já possuem. A situação real é que somos pecadores sem esperança e sem um Deus no mundo como Paulo afirma em Efésios:

“Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.”Efésios 2:12

Nós não temos um problema de engenharia, temos um problema espiritual. Esse problema espiritual é remediado unicamente pelo o que Deus faz pela Graça mediante a fé.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. “ Efésios 2:8

Esse problema é insolúvel por meio de sabedoria humana. A Bíblia nos diz para “seguir” a santificação:

“Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.” Hebreus 12:14

Apenas santificação através do sangue de Jesus, na força do Espírito Santo, nos torna aptos para ver o Senhor. Higienização interior através de bons conselhos, programas ou filosofias, jamais poderão fazer isso.

Fonte: Twin City Fellowship Critical Issues

Bem, é exatamente isso que as igrejas de um modo geral estão fazendo. Elas estão mudando o foco da pregação, antes centrada na salvação da alma, para um enfoque social. Todo o trabalho da maioria das igrejas tem se centrado na salvação social do indivíduo, e não de sua alma.

No contexto cristão pós-moderno, o problema crucial do indivíduo não está mais em seu coração, mas em sua adaptação aos desafios da realidade contemporânea. Isso se caracteriza como uma alteração de diagnóstico da realidade do homem segundo a bíblia. Interferir no diagnostico que Deus faz da problemática de sua própria criatura, supostamente motivado pela “boa” intenção em ajudar ao próximo, é externar um grau de estupidez colossal usando a infeliz idéia de melhorar o ótimo.

A bíblia nos ensina que o orgulho vem imediatamente antes do tropeço, “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.” Provérbios 16:18  O coração do homem é ruim por essência. Brincar de concertar o homem como a igreja evangélica contemporânea está brincado, é o mesmo que brincar de ser Deus. Esse posicionamento é estranho, e só comprova que o sistema moderno da igreja evangélica do século XXI está fadado ao fracasso, assim como estava o seu antecessor, o sistema religioso dos irreconciliáveis judeus. Assim como sucedeu com seus irmãos mais velhos, toda essa fétida estrutura afundará sobre o seu próprio peso. E aos genuínos cristãos caberá, mesmo não podendo abandonar o sistema, não se contaminarem, restando-lhes o consolo de serem recebidos por aquele que é incorruptível e cheio de misericórdia não fingida.

Que só Deus nos influencie!

Roberto Aguiar

Santidade Pessoal

Posted in Vida Prática with tags , , , , , , on 15/04/2012 by Roberto Aguiar

 

Por A.W. Pink

 Pela nossa queda em Adão, não só perdemos o favor de Deus, mas também a pureza da nossa natureza, portanto, precisamos nos reconciliar com Deus para que seja renovado o nosso homem interior, pois sem santidade pessoal “ninguém verá o Senhor” ( Heb: 12:14). “Como Aquele que vos chamou é santo, assim sejam também santos em toda maneira de viver (comportamento), porque está escrito: Sede santos porque eu sou santo” (1. Pet 1:15, 16). A natureza de Deus é de tal forma que, a menos que sejamos santificados, não poderá haver relação entre Ele e nós.

Mas ai surge uma pergunta: Podem as pessoas serem pecadoras e santas ao mesmo tempo? Os cristãos genuínos descobrem tanta carnalidade, sujeira, e vileza em si mesmos, que acham quase impossível ter a certeza de que são santos de verdade. Essas dificuldades são em parte resolvidas na justificação, reconhecendo que, embora totalmente profanos em nós mesmos, somos santos em Cristo, porque a Escritura ensina que aqueles que são santificados por Deus, são santo em si mesmos, embora a natureza do mal ainda não tenha sido removida completamente deles.

Como isso acontece?  Quem não for “puro de coração” nunca verá a Deus” (Mateus 5:8). Deverá haver a renovação da alma através de uma profunda mudança de pensamentos, sentimentos e vontade, que terão que ser trazidos para uma harmonia com Deus. Não poderá haver apenas uma submissão parcial a vontade revelada de Deus nas questões de fé, amor e abstinência do mal. Não, deverá existir um direcionamento de todas as nossas ações para a glória de Deus, por Jesus Cristo, segundo o Evangelho. Deve haver um espírito de santidade no trabalho dentro do coração do crente, a fim de santificar as ações que pratica, se quiser ser aceitável a Deus, em quem “não há trevas”.

Há alguns que parecem deliciar-se com a santidade imputada por Cristo no momento da justificação, que têm pouca ou nenhuma preocupação sobre a sua santidade pessoal. Eles têm muito a dizer, “ a minha alma se alegrará no meu Deus; porque me vestiu de roupas de salvação, e cobriu-me com o manto de justiça…” (Is 61:10), mas não dão nenhuma evidência de que eles “estão vestidos com as vestes de que Pedro fala, “Semelhantemente vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” (1 Ped. 5:5), ou com vestes de misericórdia, “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade…”(Colossenses 3:12).

Quantos hoje, afirmam confiar a Cristo todo o pecado que aconteceu no passado, entretanto não se importam pessoalmente em serem santos? Sob o pretexto de honrar a fé, até Satanás se passa por um anjo de luz. Ele enganou e continua enganando multidões de almas. Quando a “fé” dessas pessoas é examinada e testada à luz da bíblia, o que existe realmente de concreto? Absolutamente nada!  Nada que confirme até agora uma segura entrada para o Céu. E qual é a causa disso? Uma vida vivida sem poder, uma coisa infrutífera. A fé dos eleitos de Deus invariavelmente produz “o conhecimento da verdade que é segundo a piedade” (Tito 1:1). A verdadeira fé é uma fé que purifica o coração (Atos 15:9), e se entristece com toda a impureza. É uma fé que produz uma obediência incondicional (Hb 11:8). Esses contraditórios crentes praticam uma fé que os ilude diariamente, de que estão se aproximando do céu, enquanto na verdade, eles estão seguindo os cursos que levam apenas para o inferno. Aqueles que pensam em vir para o gozo de Deus sem serem pessoalmente santos, profanam o Todo Poderoso, colocando indignidade sobre Ele. A genuína fé salvadora faz brotar não só as flores da teoria da piedade, mas também os frutos da verdadeira piedade.

Em Cristo, Deus colocou diante de seu povo um padrão de excelência moral que obriga todo candidato a discípulo a procurar viver esse padrão. Em Sua vida vemos uma representação gloriosa em nossa própria natureza da caminhada de obediência que Ele exige de nós. Cristo conformou-se a nós através de Sua encarnação humilhante. É razoável, portanto, que devamos conformar-nos a Ele no caminho da obediência e da santificação. “Deve existir em vocês os mesmos sentimentos que houve em Cristo Jesus” (Fp 2:5). Ele chegou tão perto de nós, então é razoável que devamos nos esforçar para chegar tão perto Dele quanto possível. “Tomai meu jugo sobre vós e aprendei de mim” (Mateus 11:29). Se “também Cristo não agradou a Si mesmo…” (Rm 15:3), também é razoável que devamos nos obrigar a negarmos a nós mesmos e tomar nossa cruz para segui-Lo (Mateus 16:24), pois sem fazê-lo, não poderemos ser seus discípulos (Lucas 14:27).

“Aquele que diz está unido com Cristo, deve andar como Ele andou” (1 João 2:6).

“O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se de toda forma de mal. (II Tm 2:19)

Dica de Leitura: Cristãos em uma Sociedade de Consumo

Posted in Livros que Somam with tags , , , , , , on 11/04/2012 by Roberto Aguiar

Para não cultuarmos o deus “escolha” da nossa época.

Consumismo é a forma exagerada de materialismo que envolve os nossos cinco sentidos. Sustenta que a felicidade é alcançada quando se exerce o direito de escolha. Não vai dar tempo de curtir o que você adquiriu porque… “você descobre” mais uma necessidade.

O consumismo produziu um impacto forte e negativo nas áreas da ecologia, justiça e espiritualidade. E mina a evangelização. Uma igreja de consumistas não tem uma mensagem salvadora para a sociedade.

Leia alguns trechos do livro:

Pág 41-42

Em 1978, um pouco antes da Sra. Thatcher chegar ao poder na Inglaterra, John Stott escreveu seu conhecido comentário sobre o Sermão da Montanha, intitulado Christian Counter-culture(Contracultura Cristã). Mas agora, olhando para a igreja vinte ou mais anos depois, me pergunto: o que aconteceu com a contracultura? De que maneira os cristãos estão diferentes?

Parecemos freqüentemente tão envolvidos e imersos na promessa de felicidade proposta pelo consumismo quanto qualquer outra pessoa. (…) No entanto, a Palavra de Deus nos revela coisas que nos causam desconforto. Nada há de errado com o mundo material, mas os cristãos estão sendo cada vez mais levados a adorar as coisas criadas. É provável que a nossa alegria esteja alicerçada nas criaturas em vez de firmada no Criador. Muitos que se dizem cristãos estão apenas interessados em um Deus que os encha de “saúde e riqueza” por intermédio dos assim chamados pregadores da Palavra da Fé do evangelho da prosperidade. Muitos de nós se tornaram amantes mais dos prazeres do que de Deus (2Tm 3:4). Isso acontece para a nossa vergonha e nos coloca em risco espiritual.

Mesmo sem a ameaça do mundo tentando fazer com que apostatemos da fé em Cristo e nos oferecendo seus prazeres materiais (…), a causa principal da impotência da igreja cristã nos dias de hoje não são necessariamente os grandes pecados, mas o simples fato de que os cristãos se distraem com o que é trivial, com a infinidade de opções para ocupar o tempo na sociedade de consumo. Estas coisas talvez não sejam más em si mesmas, talvez não haja nada de errado com certas coisas que podemos comprar, mas o problema é que a nossa vida fica tumultuada e absorvida por coisas, atividades, diversão e tudo o mais que achamos tempo para fazer. Enquanto isso acontece, nosso foco na afirmação “Não terás outros deuses diante de ti” desaparece sem que se perceba. Nossa vida cristã é contaminada, não necessariamente por grandes corrupções, mas por assuntos triviais. Nas palavras de John Bunyan, nos desviamos na Campina. Em linguagem antiga, nos tornamos mundanos.

Pág 88 

O consumismo leva você às compras e diz: “A escolha é sua! Depende de você – se expresse”. As escolhas pessoais fazem as pessoas se sentirem importantes. É uma forma de auto-afirmação. As coisas que escolho comprar expressam quem eu sou, ou a imagem que quero mostrar aos outros.

Pág 94 

Precisamos estar conscientes de que este é o mundo em que vivemos. Enquanto buscamos a liberdade, enquanto estamos engajados neste conflito entre a natureza pecaminosa e o Espírito, precisamos nos conscientizar de que estamos envolvidos neste marasmo geral do consumismo que nos levará a um caminho sem volta.

Não é triste ver que até o cristianismo chega a nós em uma embalagem de consumo? Até a religião nos é vendida. Algumas das grandes conferências evangélicas se ajustam à mentalidade de consumo: há opções de seminários, e matérias, e diferentes estilos de adoração para atender a todo tipo de cultura religiosa. Depois há a área de apresentação e venda. Tudo está disposto como as mercadorias em um grande shopping center. Todos os livros dos principais oradores chamam a nossa atenção no estande.

Todos os discursos e louvores de adoração apresentados na conferência estão instantaneamente disponíveis em fitas de vídeo. São quase vendidos de forma que, por pouco, não pensamos que podemos comprar a espiritualidade se comprarmos estas coisas. E, mais uma vez, somente algumas empresas cristãs têm permissão para fazer propaganda desses produtos de maneira que possam proteger a parcela de mercado desta livraria ou daquela gravadora. Isso se tornou um grande negócio. Tudo isso parece tão diferente do espírito cristão das conferências evangélicas de anos atrás, quando a grande ênfase era fazer da convenção um momento de comunhão e encontro com Deus.

É óbvio que não sou contra livros cristãos ou fitas evangélicas, mas tudo parece tão centrado no lado comercial que podemos imaginar o que Deus realmente pensa de tudo isso. Sim, as conferências tinham de ser lugares onde as pessoas pudessem apresentar suas ofertas e tudo mais que fosse necessário para adorar a Deus, mas será que havia necessidade de transformar o templo de Deus em um mercado em vez de uma casa de oração?

Pág 113 

A mentalidade consumista não somente deturpou a nossa fé pessoal, como também enfraqueceu a importância das igrejas para a sociedade que está ao seu redor. Preferimos ir atrás do sonho de morar em uma casa bonita. Preferimos morar em um lugar onde podemos comprar uma casa melhor pelo preço que oferecemos. Uma vez que as pessoas optaram por ir “de carro” para a igreja, então as igrejas não estão mais ligadas às suas comunidades locais. Morando longe do local onde a igreja se reúne, torna-se mais difícil para a congregação se envolver em questões sociais e de boas obras que nos foram imputadas por Jesus e pelo evangelho como dever para com a comunidade. Em vez de os cristãos morarem e cultuarem a Deus em seus próprios bairros e sua fé sobreviver em um contexto que naturalmente esteja relacionado à fé e vida, o que ocorre é uma separação.

As pessoas que moram no local onde se situa a igreja apenas vêem muitos carros chegando e saindo aos domingos. As pessoas que moram nos bairros em que os cristãos residem apenas vêem os carros saindo aos domingos e, depois de algum tempo, retornando. Nenhum grupo relaciona a vida dos cristãos ao amor de Deus manifestado por meio do cuidado de sua igreja. Como dissemos, grande parte deste deslocamento acontece porque há cristãos que vão atrás do que basicamente são valores do consumismo no que se refere à moradia e conforto. Onde está o compromisso com Cristo que não tinha onde reclinar a cabeça? Onde estão os valores do Senhor Jesus que estava preparado para “levar a vida com dificuldade”, deixando as glórias do céu, tornando-se um simples carpinteiro e pregando sem rumo para seguir por nos amar e pelo bem do reino de Deus? Os cristãos precisam encarar estes fatos. Formar uma igreja para Deus requer compromisso.

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Todos nós agora pensamos no medo do compromisso. Claro que há uma hesitação natural e justa antes de assumirmos um compromisso. É tolice não ter medo. Devemos pensar bem e saber no que estamos nos envolvendo, antes de firmarmos qualquer coisa na vida. Há, portanto, uma preocupação justa sobre o custo de todo compromisso antes de o assumirmos, e o próprio Jesus ressalta este fato.

Em Lc 14:27 ele diz: “E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo”. Portanto, ser um verdadeiro discípulo de Jesus tem um custo. Então, ele diz que devemos avaliar o preço: “Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar todos os que a virem zombem dele dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar”. Na realidade, Jesus está dizendo: “Não quero que o mesmo aconteça com vocês. Se estiverem prestes a se tornarem cristãos, parem para pensar cuidadosamente em tudo que isto envolve”. É necessário que se faça um cálculo correto. A pessoa tem de se perguntar sobre quanto estas questões são sérias. Ela tem de refletir à luz da eternidade. É necessário o abandono dos prazeres do pecado.

Haverá oposição de todos os tipos quando a proposta é ser um discípulo de Jesus. Há um custo. Contudo, lembre-se de que há um céu a ser conquistado e um inferno a ser evitado. Quando fizer isso e observar o custo, você verá que o preço não é tão alto assim. No entanto, Cristo quer que saibamos o que estamos ganhando com isso. É necessário que se pense bem na questão de se tornar um cristão. Não há recriminações por parte de Cristo quando há uma hesitação justa. Ele quer que façamos uma reflexão acertada e, à luz da eternidade, um compromisso sério. Feito este compromisso, ele quer que sejamos verdadeiros pelo resto da vida.

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Que cada um de nós esteja comprometido com Cristo na prática, nos trabalhos de sua igreja, na perseverança para alcançar o reino de Deus, na divulgação do evangelho e na busca em servir uns aos outros em Cristo.

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Como os cristãos podem ser diferentes na sociedade de hoje? Como podemos dar um testemunho distintivo da forma como vivemos? (…) Onde foram parar a essência do testemunho e o traço distintivo do estilo de vida do cristão do Ocidente?

Além da necessidade de uma pureza de vida em uma cultura em decadência, creio de todo o meu coração que esta questão do contentamento é a essência necessária.

Vivemos na era do consumismo. Há uma preocupação constante em conseguir padrões de vida cada vez mais altos, ainda que a ecologia do planeta sofra danos com isso. Estamos expostos a uma vasta e sofisticada indústria de propaganda que contínua e deliberadamente busca estimular o descontentamento. Ela diz constantemente ao indivíduo: “Você precisa de mais”. Em uma época em que todo o direcionamento da vida das pessoas se volta para a ascensão na vida profissional, aquisição de bens materiais que nunca satisfazem, um cristão ser capaz de dizer “Estou bem assim; não preciso de nada” é um tremendo e maravilhoso choque para o sistema dos não-cristãos. Este é o fator principal. Ser conhecidos como alguém que é capaz e, contudo, não tem ambição maior do que estar contente em Deus é tão surpreendente que desperta as pessoas.

É tão chocante quanto ver um apóstolo velho, preso e malcuidado (Paulo), que prega uma religião desprezada, e perceber que ele está completamente em paz e radiante com a alegria celestial, a despeito de todas as circunstâncias. Não é de admirar que as novas do evangelho tenham se espalhado por toda a guarda pretoriana em Roma (Fp 1:13). Este homem era diferente de todos os prisioneiros que já tinham visto. Eles normalmente estavam mal-humorados e tinham muitas reclamações compreensíveis. Contudo, a cela deste homem era um lugar de alegria. Um coração repleto de alegria em Cristo é o segredo para causar este tipo de impacto em nossos vizinhos e colegas em nossa sociedade de consumo.

Sem dúvida, o contentamento cristão é muito importante também por outras razões. É uma bênção pessoal. “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com o que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitos sofrimentos” (1 Tm 6:6-10).  Mas aqui, simplesmente observemos que é o contentamento que causará um impacto a favor de Cristo. Em contrapartida, ter a preocupação de enriquecer não apenas levará a ter problemas espirituais, como convencerá o mundo de que não somos diferentes dele.

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Fomos chamados por Deus. Ele pede que “abandonemos” a sociedade de consumo que tende a dominar as nações e até a igreja do Ocidente.  Temos de ser diferentes no mundo que nos rodeia de várias maneiras. Devemos ser santos. E um ponto importante sobre esta santidade na atual geração é encher o coração do poder que vem de Cristo, que nos dá um contentamento sereno em todas as circunstâncias.

É por meio de Cristo que podemos fazer com que a sociedade desperte e perceba isso. Deus nos desafia para que sejamos visivelmente diferentes. Ele desafia esta geração de cristãos a ser transformada. Ele nos desafia a abandonar a falsa segurança do estilo de vida marcado pela ganância. A igreja de Cristo precisa se libertar dos grilhões do consumismo e, assim, ser capaz de glorificar a Deus aos olhos de um mundo atônito nos anos que estão por vir.

Autor: John Benton

Editora Cultura Cristã (www.editoraculturacrista.com.br)

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