Archive for the Falso Evangelho Category

Igreja evangélica realiza concurso para escolher melhor cerveja

Posted in Falso Evangelho with tags , , , , , , , , , , on 02/04/2012 by Roberto Aguiar

Nos Estados Unidos, um concurso realizado na cidade de Wilmington, na Carolina do Norte, tem chamado atenção de muitos cristãos. A competição visa escolher a melhor cerveja produzida artesanalmente por várias equipes de diferentes denominações. Dentre os já inscritos estão ,.

Um dos organizadores do evento e também criador de um curso intitulado “Que cerveja Jesus faria?”, Christopher McGarvey, argumenta que o concurso estimula os participantes a fazer cerveja no contexto em que era utilizada historicamente pela igreja.

McGarvey é ministro de louvor da igreja Ortodoxa de São Basílio, defende a ideia, “Ficou claro que desde o início que Deus deu a cevada par fazermos cerveja com ela!”. Ele também concluiu o seminário e atualmente dá aulas sobre a história da cerveja nos tempos bíblicos em uma cervejaria.

Richard Elliott, pastor da Igreja Episcopal de ST. Andrew, um dos participantes do curso sobre cerveja diz que, “Os grupos religiosos não precisam ver o álcool como algo 100% negativo.” E complementa, “Bem, você sabe, Jesus transformou água em vinho. Acreditamos que todos os dons de Deus são bons se usados no lugar e de maneira correta.”.

Várias denominações foram convidadas para o concurso, porém, muitas se recusaram a participar por pregarem que o cristão deve se abster do álcool.

Fonte: Gospel+

Quando era jovem, era costume nas igrejas fazerem concurso de perguntas sobre a bíblia. Sempre odiei aqueles concursos, por enxergar que era uma maneira tosca de produzir entretenimento “barato” aos santos.

Lendo essa matéria me deu saudades daqueles ridículos, mas, inocentes concursos…

Roberto Aguiar

Lanna Holder pastora evangélica lésbica abre novo templo no Sul do Brasil

Posted in Falso Evangelho, Inteirações with tags , , , , , , , , , , on 19/03/2012 by Roberto Aguiar

A igreja criada por Lanna Holder continua em expansão. A pastora, que era missionária da Assembléia de Deus, assumiu ser lésbica e fundou uma igreja em junho 2011, em São Paulo, a Comunidade Cidade de Refúgio, denominação voltada ao público homossexual. Mesmo com forte crítica por parte das comunidades evangélicas, Lanna Holder tem trabalhado para expandir sua igreja, e a próxima capital a ter um templo da comunidade da pastora é Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

O culto inaugural será realizado no dia 24 deste mês. A igreja, que funcionará provisoriamente em uma sala, está localizada na avenida Baltazar de Oliveira, na Zona Norte da capital gaucha.

Anderson Zambom, pastor da igreja, que também é homossexual, explicou que a idéia é possibilitar as pessoas louvarem a Deus sem que haja discriminação, e citou, “A maioria das religiões não aceita os gays. Nossa postura é diferente, já que Jesus Cristo veio à terra para todos.”. Zambom, assim como Lanna Holder, já foi da Assembléia de Deus e líder de jovens na igreja, saiu da denominação em 2003, segundo ele, por pressão de pastores e preconceito.

Ele foi um dos responsáveis pela abertura da igreja em Porto Alegre, após ter conhecido o trabalho de Lanna pela internet, entrou em contato com a denominação mostrando interesse em trazer a igreja para a capital gaúcha.

Fonte: Gospel+

Lanna Holder  e sua igreja podem atrair alguma censura hoje em dia , mas não será assim pra sempre. Num futuro próximo, 90% das igrejas evangélicas do mundo vão aceitar esse tipo de evangelho, além de reconhecer a “fé” desses gays e lésbicas como genuínas. Como assim? Antigamente quando a igreja de um modo geral via o mundo como adversário e não como aliado, era mais fácil se defender de qualquer investida maligna que viesse do sistema. Mas nos anos 50, um novo pensamento se introduziu na igreja, mudando sua postura em relação o mundo. Por serem sempre vistos pela sociedade como gente de mentalidade fraca e ignorante, os pensadores da igreja, para fugir desse estigma, passaram a relevar os pontos conflitantes do cristianismo ao mesmo tempo em que importavam novos modelos de pensamento, conceitos sociais e humanistas, com o objetivo de desenvolverem uma simbiose entre a bíblia e esses novos conceitos.

Agora, na igreja de um modo geral, é a ciência e o pensamento moderno e não apenas a bíblia que determina o que tem valor e o que não tem. Essa mudança de paradigma fez efeito, funcionou! Sem dúvida dispomos hoje de muito mais atenção e respeito da sociedade do que tínhamos há 50 ou 60 anos atrás. Em algumas áreas da sociedade não somos mais tidos como idiotas completos. Mas o que não atinamos é que, pensar e agir diferentemente da palavra de Deus tem um preço a ser pago. E esse preço esta sendo pago agora. A igreja gay é apenas um, dos muitos valores que estamos pagando e iremos pagar muito mais ainda no futuro. A igreja moderna terá que engolir a igreja gay, porque rejeita – lá seria declarar guerra a sociedade, a justiça comum, e a cultura que tão servilmente nos esforçamos para conquistar. Nosso envolvimento e compromisso com o sistema chegou a um nível tão grande, que simplesmente não estamos mais dispostos a jogar tudo que conquistamos no lixo, por um detalhe tão “pequeno”, e arriscar a voltarmos a ser tratados como religiosos hipócritas, julgadores de mentalidade estreita estacionados na idade média.

Esse processo de deglutir a igreja gay já está em andamento e alguns ícones importantes no mundo evangélico como Philip Yancey e Brennan Manning já defendem abertamente a fé da igreja gay. Outros como Ricardo Gondin, Caio Fábio e Rick Warren estão construindo seus ensaios. Trata-se de um efeito dominó.

E qual a base bíblica esses obreiros fraudulentos usarão para convencer o rebanho…? O amor! Sim, o amor cristão. Esses homens vão usar o amor da bíblia para convencer a maior parte da igreja que se Cristo estivesse aqui certamente os receberia. Embasados no conhecimento científico que diz que essas pessoas já nascem assim, e que, portanto, isso não é uma questão de escolha, mas uma questão biológica, a doutrina do amor ao próximo adicionada ao “não julgueis, será o cavalo de troia que abrirá o caminho para que a igreja gay seja reconhecida como genuinamente cristã.

Seria interessante observar que não acredito em nenhuma posição ou ação ativista de resistência ao movimento gay moderno como fazem os equivocados irmãos Silas Malafaia e Julio Severo. Toda e qualquer forma de ativismo evangélico já nasce furado porque traz o selo da desaprovação bíblica. O objetivo por traz desse tipo de coisa é sempre o mesmo, chamar atenção para si. O Jesus da bíblia jamais agiria assim. Nossa mensagem para com o mundo jamais pode ser de confronto, mas sim de compreensão e compaixão. Se nos oprimirem para fazermos o que nosso Deus condena, nos recusamos pacificamente e pagamos o preço, mas jamais nos voltaremos contra o mundo que fomos enviados a salvar.

Que só Deus nos influencie!

Roberto Aguiar

“Igreja emergente” dos EUA leva a Religião para Uma Mesa de Bar

Posted in Falso Evangelho on 10/01/2011 by Roberto Aguiar

No cartaz acima está escrito, “Bar Igreja, para qualquer um que tiver sede”

Velas acesas, leitura de passagens da Bíblia e uma cerveja. O encontro evangélico em um pub em Minnesota pode parecer incomum, mas é parte do que vem sendo chamado de “a Igreja emergente”. Os encontros são promovidos no pub Dunnigan’s North Shore, em Two Harbors, no estado americano de Minnesota pelo barman Chris Fletcher, que também é seminarista na universidade Bethel. Fletcher chama o encontro de “bar igreja”. “Eu escolhi esse [nome] porque achei a parte do ‘bar’ do nome seria um problema para algumas pessoas religiosas, e que a parte da ‘igreja’ seria problemática para as pessoas que estão no bar. Mas eu queria fazer isso para provocar essa tensão, porque era uma maneira de colocar esses dois mundos juntos no nome”, disse ele. “O primeiro milagre de Jesus foi transformar água em vinho e eu acho que seria muito mais confortável [fazer os encontros em um bar] do que em igrejas”, completou o seminarista. “Eu nasci e cresci em um ambiente tradicional da Igreja. Mas essa idéia bar realmente me atraiu. Jesus sempre diz ser uma luz para o mundo. Como você pode ser uma luz para o mundo se estão todos sentados em uma igreja juntos?”, disse Betsy Nelson, atendente do pub. “Isso é muito mais confortável”, disse Bill Carlstrom, um dos frequentadores da “Bar Igreja”.

As reuniões têm atraído poucas pessoas, mas os que se tornaram frequentadores assíduos dizem que essa forma de entrar em contato com a religião é muito mais interessante para quem nunca entrou em uma igreja. “Você tem que fazer as pessoas se sentirem confortáveis e informá-las que elas não estarão sendo julgadas pelo que são. Eventualmente, Ele [Deus] vai mudar as pessoas. Esse é o trabalho dele, não o nosso”, disse Nelson.

Fonte: Notícias UOL

Com informações da AP

http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2011/01/07/seminarista-promove-encontros-religiosos-em-pub-nos-eua.jhtm

Esse episódio é mais uma evidência da má interpretação das escrituras feita pelo movimento da igreja evangélica emergente. A tônica equivocada da igreja emergente que produz ações “evangelísticas tetraplégicas” como essa,  é fazer com que o indivíduo se sinta bem. Esse tipo de ação só é possível se o evangelho for desconfigurado, pois é impossível aliar o bem-estar físico pessoal com a mensagem de carregar a cruz, negar-se a si mesmo e morrer para o ego.

Em parte alguma das escrituras faz parte da estratégia missionária agradar o ouvinte satisfazendo seu desejo pessoal. Jesus participou de algumas reuniões com não crentes mas jamais tentou reproduzir esse ambiente para atrair os ouvintes.

As reuniões que Jesus frequentava eram reuniões feita em residências de pessoas comuns como hoje. Essas pessoas eram taxadas pelos fariseus de pecadoras apenas por não serem frequentadoras do templo. Não há nada nas escrituras que indiquem algo a mais do que isso. Em contra partida, a igreja emergente, tentando justificar seu desejo proibido, vende uma imagem de que as reuniões que Jesus frequentava eram dá pesada, do tipo das baladas, com som pesado, álcool e drogas “rolando” a solta, e aquela “pegação” geral. Dessa visão distorcida dos evangelhos saiu essa idéia da “Bar Igreja”.

Roberto Aguiar

A Pastora das Desgarradas

Posted in Falso Evangelho on 16/12/2010 by Roberto Aguiar

Como Priscila Mastrorosa atrai para a igreja bola de neve polêmicas musas do imaginário masculino.

“Jesus Cristo era um personagem vip. Tinha um temperamento tão agradável que na primeira vez que encontrou seus discípulos os convidou para ir à balada. Mesmo no meio de bêbados e mulheres marginalizadas, o filho de Deus mantinha seus princípios. Continuaria comportado ainda que se deparasse numa festa com a desregrada Maria Madalena, de copo na mão, dizendo: “E aí, Jesus, você vem sempre aqui? Shake your body! (mexa seu corpo!)”

Pastora Priscila Mastrorosa da igreja Bola de Neve

Essa leitura sui generis da passagem do Filho de Deus pela Terra pode parecer uma blasfêmia para a maioria das pessoas, mas tem sido a pedra fundamental do discurso de evangelização da pastora Priscila Mastrorosa, 36 anos, da igreja Bola de Neve. É com essa linha de pregação que ela arrebanhou os mais de 1.200 fiéis que frequentam seu templo localizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Não por acaso, ela fala a língua deles. A grande maioria dos presentes nos cultos é de jovens com jeito de surfista, cabelo rastafári, bermudões e tatuagens. Algumas vezes, a pregação de Priscila é interrompida por gargalhadas. “A mensagem de Deus não pode ser algo chato, maçante”, justifica. Nesse estilo, a líder religiosa cativou pessoas conhecidas, entre elas ex-símbolos sexuais como Regininha Poltergeist, Marinara Costa ou Georgiana Guinle. Com mais outras três subcelebridades convertidas, está produzindo “Boladas”, um programa de debates para a tevê. Também escreveu uma comédia teatral e planeja lançar até novelas. Tudo em nome de Jesus.

Do debate, que será uma espécie de “Saia Justa” (programa feminino do canal pago GNT) evangélico, já foram gravados pilotos discutindo temas como drogas e sexo. “Essas coisas (drogas) acontecem pela falta de Jesus”, conta Regina Oliveira, que na década de 80 povoava o imaginário masculino como a sexy Regininha Poltergeist, estrela nua de várias capas de revista. “Quanto ao sexo, é preciso ter cuidado, escolher a pessoa certa, ou então vai se relacionar com meio mundo e, no final, se sentir infeliz.” A pastora adianta que a pauta de discussões do programa seguirá assim, sem limitações. “Podemos tratar de qualquer assunto, desde que seja para passar valores de família, de vida”, explica Priscila. “Aqui não discriminamos ninguém, talvez isso tenha atraído essas mulheres para a igreja Bola de Neve.” A atriz Luciana Bessa (ex-“Malhação”), que com as atrizes Roberta Foster e Giselle Policarpo completa o grupo das seis “Boladas”, confirma essa impressão. “Não ouvi broncas, apenas orientação. Antes encarava o sexo como algo casual, hoje não.” Luciana é casada com um integrante da igreja.

A própria pastora já andou por caminhos tortuosos, digamos assim. Apesar de seus pais seguirem a religião batista, também protestante, ela se afastou dos cultos na adolescência. “Aos 15 anos fui para uma praia paulista, onde surfava e fumava maconha”, diz. Seguiu os passos de seu irmão, Rinaldo, que também gastou boa parte da adolescência surfando, usando drogas e só voltou a praticar a religião após contrair hepatite. “Meu irmão contou que teve uma experiência com Jesus. Eu dizia apenas: ‘Que bom para você’”, recorda. Três anos depois, por um motivo prosaico, foi a vez de Priscila se reconverter. Uma noite estava na praia, quando uma amiga perdeu a chave do carro. Então, ela prometeu a Deus que, se encontrassem a tal chave, se tornaria pastora. “Achei o chaveiro logo em seguida. Então resolvi cumprir a promessa.” Foi estudar teologia e pouco depois iniciou a parceria com o irmão, que havia criado a Bola de Neve. É casada há dez anos com o pastor Gilson, também integrante da igreja. O casal não tem filhos.

Apesar de embalar a pregação com cores modernas e joviais, no conteúdo a Bola de Neve não difere de outras denominações evangélicas. Defende o temor a Deus sem contestação, critica ícones das religiões afro-brasileiras e as práticas da Igreja Católica. A pastora refuta a bebida e o cigarro, define o homossexualismo como um comportamento que pode ser mudado caso a pessoa encontre Deus e desaconselha o sexo casual. “O que dizemos é que a relação sexual deve acontecer depois do casamento. Mas, se rolar, que seja com camisinha ou pílula anticoncepcional”, afirma. A informalidade, no entanto, dá outro tom a essas ideias tradicionais. Quando comenta sobre o comportamento daqueles que resistem à conversão, ela mais uma vez usa a linguagem dos jovens. “Quer continuar a ser um ‘manezão’? Não quer se transformar? Você é quem sabe…”, ameaça. Tanto Priscila quanto seu marido, o pastor Gilson, sabem que essa forma descontraída de falar combina com a linguagem da tevê e dos palcos. Por isso, “Boladas” deve ter um ritmo bem mais dinâmico do que os programas evangélicos tradicionais.

O próximo passo é montar em um teatro carioca uma comédia na qual Roberta Foster, que aparecia seminua como a Eva do programa “Zorra Total”, na Rede Globo, viverá o papel de… Eva. “Mas, dessa vez, será o verdadeiro personagem bíblico”, diz a pastora Priscila. Ainda está por vir um debate esportivo e um projeto de filme. Se depender do senso midiático de sua líder religiosa, a Bola de Neve fará jus ao nome e arrebanhará cada vez mais ovelhas.

Francisco Alves Filho

Reporter da revista “Isto É”

Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/74677_A+PASTORA+DAS+DESGARRADAS

Bem, a primeira vista, se esforçando para manter a mente aberta a realidade, e se manter longe da religiosidade má e fictícia, pode até parecer interessante a abordagem da Priscila. Mas numa segunda olhada, levando em consideração toda a pregação de Cristo, que não podemos nos esquecer, fez a maioria dos seus seguidores desistirem de segui-lo, após ouvirem um sermão duríssimo e inédito até aquela ocasião. Concluímos que se trata de versão adulterada da palavra de Cristo. Aquele sermão fatídico do messias foi tão duro e indigesto que causou uma debandada geral nos seguidores do messias, chegando ao ponte de Jesus indagar se os 12 discípulos também queriam abandoná-lo. Diferentemente, o Jesus adocicado, quase afeminado que a igreja Bola de Neve prega, arrebanha milhares porque alem de não exigir quase nada, é meio “banana”, e ainda oferece de bônus o céu. Quem seria o idiota que recusaria uma proposta dessas?

O movimento da igreja emergente, da qual faz parte a igreja Bola de Neve, pode ser uma piada do ponto de vista teológico, no entanto, assim como a Universal lançou moda e alterou a forma de se fazer igreja no Brasil, igrejas emergentes como a Bola de Neve vão crescer em número. Acredito que esse movimento influenciará fortemente outras igrejas, cairá na moda e na graça da sociedade. A Razão disso é a estética da linguagem extremamente moderna, atualizada, aliada a propaganda enganosa dos baixos padrões cristãos. Essa química tem dado efeito. Quem viver, verá. Quem realmente ouve apenas a voz do bom pastor, jamais cairá nessa.

Roberto Aguiar

Evangelho Feito para o Consumo

Posted in Falso Evangelho on 07/11/2010 by Roberto Aguiar

A imagem mostra um crente cosumidor do evangelho pós-moderno que diz: ” Obrigado Senhor porque não sou como os fariseus religiosos!”, se referindo aos crentes que insistem em enxergar o evangelho tradicional.

O que significa cristianismo consumista? Geralmente é qualquer tentativa de edificar o Reino de Deus ou enaltecer o indivíduo cristão (ou atrair ao cristianismo o convertido em potencial) através de meios e métodos que apelem à carne, ou seja, ao enganoso e auto-serviente coração do homem. Isso começou no Jardim do Éden, quando Satanás manipulou Eva, a fim de desobedecer a Deus, achando que iria enriquecer a si mesma.

Esse tipo de cristianismo está mais especificamente relacionado ao que acontece hoje, como um esforço de ajudar as igrejas cristãs a crescerem em números e a se tornarem mais efetivas, através da aplicação de princípios comerciais, estratégias de mercado e conceitos de gerenciamento. Ele caracteriza o jogo que está ocorrendo nas igrejas, jogo esse que deveria parecer excêntrico, quando não perturbador, a qualquer pessoa que tenha uma compreensão, tanto do “consumismo” como do “cristianismo”. E por que? Porque estes dois termos são antagônicos!

O consumismo no sentido comercial é um conceito embasado na satisfação do cliente, sendo essa a chave para o sucesso de qualquer empresa comercial. O produto ou serviço deve ser adaptado aos desejos e conscientes necessidades do cliente, ou então não haverá lucro sustentável. O consumismo é importante, pois se não houver cliente também não haverá lucro e, portanto, nenhum negócio.

Deus é quem governa no cristianismo bíblico. Ele fez Sua revelação à humanidade no sentido de observar: “… tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude” (2 Pedro 1:3). Falando de modo mais simples, o cristianismo engloba tudo que é necessário para a humanidade saber e fazer, a fim de se reconciliar com Deus, agradando-O diariamente, para depois ir viver com Ele, por toda a eternidade. Não se trata de esforço e, na verdade, não se relaciona a negócio, nem aos conceitos a este associados.  Qualquer tentativa de entravar o cristianismo bíblico através de princípios comerciais é, no mínimo, acrescentar metodologias inúteis à Palavra de Deus. Pior ainda, esse tipo de tentativa rejeita a suficiência das Escrituras, favorecendo as obras da carne, extinguindo o Espírito Santo, sujeitando a pessoa aos enganos e, finalmente, à escravidão ao deus deste mundo. Em qualquer caso, isso  conduz à destruição espiritual da igreja, com eternas conseqüências.

O cristianismo consumista está no coração do movimento de crescimento da igreja (bem como nas seitas pseudocristãs). Muitas igrejas evangélicas têm-se entregue de todo o coração a uma tendência comercial objetivada, a princípio, no esforço de atrair os perdidos, os quais são vistos como clientes em potencial. Como os descrentes freqüentam a igreja, misturando-se aos novos e antigos membros, os conceitos de consumo se espalham, inevitavelmente, por toda a congregação. Esses conceitos, também, inevitavelmente, afetam a pregação, a música, os programas da EBD, etc., os quais, por sua vez, produzem uma superficialidade através de toda a congregação.

Quase sempre a aproximação comercial tem dado resultado no sentido de se acrescentarem números à igreja. Dezenas de milhares de pastores, através dos USA, e milhares deles, internacionalmente, têm sido influenciados pelos ministérios de alto lucro, dispondo-se a colocar em prática suas variadas metodologias de marketing, a fim de ganharem almas e efetuarem o crescimento de suas igrejas.

Será que essa é a maneira bíblica de ganhar almas e efetuar o crescimento da igreja?

Para alguns cristãos bíblicos a resposta óbvia é NÃO! Mas para um crescente número dos que afirmam manter a Bíblia como sua fonte de autoridade e a todo-suficiente verdade divina, esse “não” tem conduzido a um “possivelmente”… “talvez”, ou “tenhamos cuidado para não jogar fora a água do banho junto com o bebê.”  Ora, vamos examinar a água para ver se de fato existe ali dentro um bebê a ser resgatado.

Será que o consumismo tem respaldo nas Escrituras? Será que Deus organizou o Seu Evangelho, a fim de gratificar os desejos mundanos da humanidade? Será que existem algumas coisas na Bíblia que deveriam ser estrategicamente evitadas, a fim de não se perderem alguns crentes “em potencial”? Será que a Palavra de Deus reflete uma preocupação no sentido de que os crentes deveriam manter o seu “negócio” em qualquer lugar, quando não sentirem que as suas necessidades não estão sendo satisfeitas?  Será que a Bíblia nos manda tornar a verdade mais aceitável, alimentando com ela os perdidos de formas mais diluídas ou com entretenimentos? Será esse o evangelho que salva, após ter sido alterado para atrair os não cristãos? Se qualquer descrente, mesmo remotamente, achar que é assim, é provável que o pensamento mundano já tenha gravemente influenciado a sua compreensão da Bíblia.

Certamente, os pastores deveriam saber melhor. Contudo, em muitos casos em que o consumismo tem infectado as suas igrejas, eles têm agido no sentido de implementá-lo. Os pastores a quem me refiro aqui, e estou bem a par deste assunto, são os que se consideram bíblicos e desejam sinceramente ver almas sendo salvas, desejando também cumprir a sua vocação ao ministério, de modo a agradar a Deus. Como poderia tal pastor de ovelhas se engajar no cristianismo consumista?

O processo se desenvolve sempre de maneira sutil. Digamos que um pastor ame os membros de sua igreja e deseje vê-los felizes. Ele também deseja que eles cresçam espiritualmente e está buscando maneiras de acrescentar novas ovelhas ao seu rebanho. Quando surgem conflitos e as esperanças de crescimento não são atingidas, sempre são buscadas soluções para o problema em outras igrejas que, aparentemente, tenham tido sucesso em tais assuntos.  Os remédios recomendados quase sempre envolvem alguma forma de acomodação.

Por exemplo, um conflito muito comum, hoje em dia, dentro da igreja é a diferença de gostos na música, o qual geralmente é resolvido, quando os cultos são separados – um com hinos tradicionais e outro com cânticos contemporâneos. Como essa alteração parece satisfazer a maioria dos membros, muitos pastores são encorajados a acrescentar mais almas à sua igreja, combinando a atração pela música contemporânea dos buscadores sensíveis com mensagens (apelativas, mas não ameaçadoras), as quais são apresentadas em cultos convenientes e casuais, de sábado à noite. Programas inovadores são, então, formulados, a fim de irem ao encontro dos desejos dos que poderiam vir a se converter, motivando os raramente ativos na igreja, com ênfase especial sobre atividades de entretenimento, no sentido de atrair a juventude e conservá-la indo à igreja.

Alguns pastores têm-me dito que eles, relutantemente, observam as idéias do mundo, a fim de competirem com o mundo e poderem alcançar os perdidos, livrando-os do mundo. Eles estão cônscios da ironia dessa aproximação, porém argumentam ser essa a única maneira de evitar que se preguem para bancos vazios. A pregação, por sua vez, é sempre abreviada e suplementada por vídeos, peças e produções musicais.

Essa é uma trilha que, aparentemente inofensiva a princípio, no entanto conduz à estrada larga do cristianismo consumista. Embora simpatizemos com os pastores que se sentem compelidos (alguns até coagidos pela política da igreja) a resvalar por essa trilha bilateral, ela é pavimentada com comprometimentos bíblicos, os quais conduzem a um mortífero final espiritual.

Esse empreendimento de crescimento da igreja não é tão novo no cristianismo. É uma crônica de se fazerem as cosias à maneira do homem, desprezando o modo de Deus. No século 4, o Imperador Constantino agiu de igual modo em estratégias de sucesso no “crescimento a igreja”. Ele professou ter-se tornado cristão e induziu metade do Império Romano a agir de igual modo. Essa era de compromissos feitos pelo Imperador (que se autonomeou “Vigário de Cristo” e “Bispo dos Bispos”, a fim de conseguir novos convertidos, pode ser caracterizada por  Will Durant em sua “História do Cristianismo” (1). Outro historiador escreve: “Longe se ser uma fonte de melhoramento (sobre a perseguição que os cristãos sofriam antes), essa aliança [política] foi uma fonte de ‘maior perigo e tentação’ … Indiscriminadamente incluindo as igrejas [de pagãos]… simplesmente jogou bem longe os marcos claros e morais que separavam a ‘igreja’ do ‘mundo’” (2).

Um milênio mais tarde, Martinho “Lutero viu e sentiu uma Roma (religiosa) absolutamente entregue ao dinheiro, à luxúria e a outros males semelhantes” escreve Edwin Booth. “Ele ficou perplexo e incapaz de compreender isso” (3). Mesmo assim, ele e outros [reformadores] fizeram alguma coisa nesse sentido. A clara vocação da Reforma foi a “Solla Scriptura” e embora “somente a Escritura” não tenha sido inteiramente seguida, a Palavra de Deus e os seus caminhos foram restaurados como autoridade e regra de vida para os milhões, até então enganados pela devastadora acomodação à qual  se havia entregado a Igreja Católica Romana.

O cristianismo consumista jamais foi um caminho de mão única. Ele age como um “toma-lá-dá-cá”. Tetzel, o monge dominicano do século 16, foi um mestre manipulador na venda de indulgências. Por isso, o seu trabalho se tornou muito mais fácil ao “condescender” com as naturezas auto-servientes dos seus clientes católicos, [pois] tanto os ricos como os pobres se dispunham a pagar qualquer quantia, a fim de se livrarem das chamas do inferno e do purgatório.

O protestantismo teve a sua própria cota, tanto de artistas espirituais defraudadores como de ingênuos dispostos a serem defraudados. Se Tetzel foi um instrumento para a construção da Catedral de São Pedro em Roma, os evangelistas da “saúde e prosperidade” mais ainda o foram, no século 20 (continuando a crescer muito, na atualidade), tendo ajudado na construção da Trinity Broadcasting Network, dentro da mais ampla rede de TV religiosa do mundo. Distorcendo e aderindo à doutrina bíblica da fé em um poder, qualquer pessoa  pode usar esses falsos homens e mulheres para conseguir saúde e cura, os quais têm amealhado individualmente verdadeiras fortunas às expensas dos biblicamente fracos e iletrados, bem como daqueles “cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:19).

Durante os últimos 50 anos, os mais susceptíveis aos esquemas dos charlatães foram os cristãos professos, que tinham mais afinidade com as experiências espirituais místicas do que com a sã doutrina. Essas pessoas foram geralmente encontradas entre os pentecostais e os carismáticos. Muitos cristãos inteligentes e cônscios da doutrina se mostraram imunes aos avanços desse tipo de “fé sem efeito” pregada por Oral Roberts,  ou ainda às exposições blasfemas do poder do Espírito Santo de um Benny Hinn, dois líderes entre uma hoste de outros promotores de “sinais e maravilhas”.

Contudo, a ambição encontrou terreno fértil – ou melhor, um pântano mais profundo – entre os que tradicionalmente têm incrementado o discernimento bíblico. Embora as metodologias sedutoras sejam levemente diferentes, a base de um efetivo engodo espiritual é o mesmo: nenhum cristão, quer seja evangélico ou outro, pode estar garantido, “porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo” (1 João 2:16). Além disso, a única salvaguarda contra esse tipo de engodo, que é a leitura e obediência à Palavra de Deus, no poder do Espírito Santo, está sendo sistematicamente diluída na igreja evangélica moderna.

A história da igreja tem demonstrado  a necessidade do cristão se apegar à Palavra de Deus e quando isso é seguido, logo acontecem a santificação e a frutificação. Quando o cristianismo bíblico é adulterado (com a adição de métodos humanos) ou abandonado de vez, logo prevalecem as distorções humanas, conduzindo a igreja professa à anemia e à cegueira espiritual. “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte” (Provérbio 14:12). Também há uma correlação entre a profundidade da confiança de uma igreja nas Escrituras e a sua aceitação de crenças e práticas heréticas. Quando a igreja tem apenas um conhecimento superficial em relação ao discernimento bíblico, a capacidade dos seus membros de discernir entre o legítimo e o falso ensino é praticamente nula.

O efeito letal do cristianismo consumista é o modo como ele faz  a apresentação do evangelho da salvação, que é a única esperança de reconciliação do homem com Deus. Este é sempre um sutil apelo de venda, apresentando todas as coisas maravilhosas que Deus tem à disposição do homem: “Ele ama a todos e quer que todos passem a eternidade junto dEle e todos têm para Ele uma significação de valor infinito”. Isso passa a ser o motivo do sacrifício de Cristo na cruz [em vez dos pecados do homem corrupto]. Essa miscelânea de distorções da verdade com auto-indulgência é seguida por uma breve “oração do pecador”, a qual é repetida  pelos que se deixaram persuadir a entregar uma tentadora oferta. Esse método tem-se tornado tão comum, que até mesmo alguns cristãos inteligentes dificilmente reconhecem qualquer problema, deixando de perceber quão mal orientados foram com relação ao fato de como uma pessoa é realmente salva.

Como assim? Comecemos com  alguém que é realmente salvo, e aja de modo errado. Toda pessoa nascida de novo pelo Espírito  Santo possui um novo coração, repleto do amor de Deus por Ele e pelo próximo, bem como pelos Seus ensinos. Ele ou ela é nova criatura, embora ainda não perfeita nessas coisas, embora residindo em seu coração o desejo de agradar mais a Deus do que a si mesma.

Um exemplo disso é encontrado em Lucas 7:36-50 envolvendo a mulher de reputação pecaminosa, a qual entrou em casa de Simão, o fariseu, à qual Jesus fora convidado para a ceia. Ela lavou os pés de Jesus com suas lágrimas e os enxugou com os seus cabelos, beijando-os repetidamente. Jesus declarou que ela amava muito por ter sido muito perdoada.

Essas passagens ensinam como é essencial a convicção de pecado, quando se vai a Cristo. O fariseu com justiça própria e auto-serviente pouca ou nenhuma convicção tinha do pecado e, portanto, não recebeu perdão (Lucas 18:9-14). Por sua vez, a mulher não pensou em si mesma, nem no desdém com que era observada pelos convidados à ceia. Sua gratidão por Jesus querer perdoá-la dos seus pecados compeliu-a a morrer para si mesma e viver para Ele.

Por sua vez, o evangelho, segundo o cristianismo consumista, sempre faz um apelo ao ego, enfatizando coisas (tanto verdadeiras como distorcidas) que vão ao encontro das necessidades sentidas pelos perdidos. Isso fica reduzido a um simples lampejo das doutrinas bíblicas que podem conduzir a uma convicção de pecado. Qual é o problema? Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, não os consumistas!

[Como já foi dito], o consumismo foi apresentado ao homem no Jardim do Éden. Satanás tinha um conceito de auto-serviço que desejava vender a um cliente em potencial, que não tinha necessidade alguma, uma pessoa que vivia num ambiente perfeito, tudo possuindo, material e espiritualmente. Sua estratégia (comparável à estratégia em uso no século 20) era criar um desejo, onde não havia necessidade alguma, convencendo Eva, não de que ela carecia de alguma coisa, mas de que o que ela possuía não era suficiente. Além disso, num esforço de ganhar a competição, Satanás iniciou sua jogada colocando dúvida em relação ao mandamento divino e à conseqüente penalidade pela desobediência.

Ao chamar Deus de mentiroso, sem dúvida o adversário abalou a confiança de Eva nEle: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?… Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gênesis 3:1,4,5).

A fim de manchar o caráter do Senhor, a serpente usou o irresistível argumento de venda: “faça isso por você!”

Sendo o consumismo sempre voltado para o lucro, ele deve incluir um comprador bem como um vendedor com tendência ao lucro. Certamente Eva teve os seus desejos atiçados, pois sem isso não poderia ter acontecido venda alguma: “E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela” (Gênesis 3:6). Foi então que nasceu dentro de Eva, de Adão e de todos os seus descendentes, o grito da alma do consumismo: “Como isso vai me trazer proveito?”

O cristianismo consumista é uma mentalidade ou metodologia   que tenta enriquecer os cristãos, tanto material como espiritualmente, além de atrair novos convertidos à fé, embora por caminhos e métodos que não se enquadram na Palavra de Deus, nem na obra do Espírito Santo. Quer seja ele apresentado sutil ou visivelmente, compreensível e ou incompreensivelmente, envolve sempre um apelo à  decaída natureza humana. Além disso, o cristianismo consumista tem por objetivo agradar e glorificar o ego, em vez de agradar a Deus.   A história está repleta de exemplos de consumismo e egoísmo humano. Vamos analisar rapidamente a história do povo escolhido de Deus, os judeus (Deuteronômio 4:2) e de sua igreja (Tito 2:14), como exemplos da parte do povo que deveria tê-Lo conhecido melhor. Sarai, a esposa de Abraão, tentou resolver o seu caso de esterilidade ao sugerir a sua própria maneira para a vinda do filho que Deus havia prometido a Abrão (Gênesis 16:2-3). O filho Ismael, nascido da escrava Agar, tem sido a causa do sofrimento dos judeus, hoje em dia. Séculos mais tarde, logo após terem os israelitas experimentado o livramento divino dos egípcios, através de meios extraordinários,  eles fizeram um bezerro de ouro para ser adorado, a fim de gratificar as suas imediatas necessidades espirituais.  A resposta de Deus a Moisés foi que “o povo se tinha corrompido” (Êxodo 32:4-7). Josué foi enganado ao fazer paz com os gibeonitas, contrariando a ordem divina, e sua presunção de fazer o bem ao seu povo foi em realidade uma ostensiva desobediência: “Então os homens de Israel tomaram da provisão deles e não pediram conselho ao SENHOR” (Josué 9:14). Todos o Livro de Juízes caracteriza o povo de Deus, durante aquele período de tempo, como possuidor de uma mentalidade consumista, pois “cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos” (Juízes 17:6; 21:25).  Mais tarde, os olhos de Davi sobre Betsabá o levaram a satisfazer o seu desejo de luxúria, apesar do que isso iria representar em sua experiência com Deus.

Os evangelhos e as epístolas do Novo Testamento estão repletos de exemplos do cristianismo consumista. A objeção de Pedro ao que Jesus havia declarado que iria sofrer pela nossa salvação foi mais que um exemplo de simpatia carnal. Jesus logo entendeu que aquela era uma desobediência de natureza satânica (Mateus 16:21-23). Além disso, a resposta de Cristo a Pedro define tudo que se refere ao cristianismo consumista: “… Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” (verso 23). Aos outros discípulos do Senhor foi dada a mentalidade de “como isso pode me trazer benefício”. Cegos pelo próprio interesse ao que Jesus lhes dissera a respeito dos seus iminentes sofrimento e morte, Tiago e João reagiram, buscando uma posição elevada em Seu Reino vindouro: “E eles lhe disseram: Concede-nos que na tua glória nos assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda” (Marcos 10:37). O Apóstolo Paulo censurou Pedro, o qual, junto com Barnabé, deu as costas aos gentios, a fim de agradar aos da circuncisão: “E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (Gálatas 2:11-14). Paulo identificou suas próprias lutas, bem como as nossas, diante de Deus: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço (Romanos 7:18-19). Em seguida, ele declarou a solução para o crente, em Romanos 8:1: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.

O cristianismo consumista, quer manifestado nas igrejas primitivas, ou nas assembléias de hoje (desde as mega-igrejas até às reuniões de comunhão nas casas) está simplesmente fazendo as coisas à maneira humana e não à maneira divina. A história da igreja, desde o primeiro século, é uma triste crônica dos desvios dos verdadeiros e falsos cristãos da Palavra de Deus, fazendo  o que lhes parece direito aos seus próprios olhos, embora fazendo-o em o “Nome de Cristo e para a Sua glória”.  Embora com resultados espiritualmente devastadores, Deus tem sido fiel, misericordioso e longânimo com os Seus. À medida em que nos aproximamos da Segunda Vinda do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o cristianismo consumista vai transformar de tal maneira a igreja que esta se tornará chocante para os cristãos verdadeiros, a não ser, claro, que estes tenham sido paulatinamente endurecidos através de uma gradual aceitação de muitos dos apelos por “novos produtos e processos” [e propósitos], (ou seja, pelas formas de ensinos antibíblicos, práticas e adoração) que estão sendo “vendidos” hoje em dia.

Após o Arrebatamento da Noiva de Cristo para estar junto a Ele (1 Tessalonicenses 4:16-18), uma igreja professa aqui permanecerá, por ter sido convencida a aceitar o Anticristo [na chamada “operação do erro”). Essa igreja apóstata ainda não é vista claramente, porém sua preparação tem estado em andamento por 2 mil anos e ela crescerá com grande intensidade, até o Arrebatamento dos cristãos realmente nascidos de novo. O engano daquele tempo será maior do que a humanidade jamais terá experimentado, incluindo o engodo de Hitler, com absoluto controle sobre a civilizada, tão altamente  educada e tecnologicamente sofisticada Alemanha. Qual será a principal diferença? Esse engodo será mundial e mais espantosamente facilitado pelo próprio Deus: “Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade” (2 Tessalonicenses 2:7-12). Esse poderoso engodo afetando os perdidos é comprável ao endurecimento do coração de Faraó. Ele não induzia ao pecado, mas mesmo assim permitia as circunstâncias para o desenvolvimento ao qual o seu maligno coração não conseguia resistir.

Não há razão para se acreditar que somente “os que perecem” serão apanhados no último dia do engano. Conforme temos observado nas Escrituras, muitos heróis e heroínas da fé  optaram, em determinados tempos, para que os seus próprios desejos vencessem o único antídoto divino contra o engodo espiritual: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade. E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé”. ( 2 Timóteo 3:1-8).

Consideremos essas coisas à luz do que está acontecendo nas igrejas evangélicas de hoje. A psicologia humanista, com a sua ênfase no auto-amor e sua criação de outros tipos de egoísmos, tem-se tornado uma doutrina aceita e promovida entre os conselheiros pastorais e psicólogos “cristãos”. Os evangelistas da prosperidade têm-se tornado insaciáveis contra o mandamento mais importante do Senhor, [Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento – Mateus 22:37], o qual foi entregue aos milhões de cristãos professos. As igrejas que buscam membros simpatizantes estão laborando no sentido de preencher os seus bancos com pessoas amantes do  prazer, e ao mesmo tempo desencorajando (e em alguns casos até mesmo desprezando) os amantes de Deus. As “igrejas com propósito” (grifo da tradutora) têm fabricado formas de piedade, desprezando o poder das Escrituras e a liderança do Espírito Santo. A crescente adulteração das Escrituras Divinas, dando lugar a formas de subjetivas paráfrases e “traduções”, está criando uma resistência à verdade e uma anemia no discernimento espiritual. Afinal, com relação aos ingredientes da apostasia, lembremo-nos que os mágicos extasiaram aquela numerosa corte de Faraó com os seus milagres e práticas pagãs, mística presença e falsos sinais e maravilhas (Êxodo 7:11-12). Do mesmo modo, também, agora, estamos presenciando  o entretenimento, o experimentalismo e o contemplativo misticismo [católico medieval] seduzindo multidões de igrejas, as quais antes se dedicavam à pregação e ao ensino da sã doutrina.

Será que esse poderoso engodo não já penetrou na igreja evangélica? Se você acha que não, então vai ter dificuldade em encontrar outra explicação para a seguinte agenda e participação na Convenção Nacional de Pastores de 2005.

Esse evento patrocinado pela Youth Specialities (Especialidades em Juventude -  a organização evangélica mais influente na América para jovens pastores e líderes) e a Zondervan (publicadora de obras como “Uma Vida Com Propósito”, a Bíblia “The Message” (paralela à NVI) e produtora do DVD do filme “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson, iniciou sua programação diária com a oração contemplativa (Vejam “Please Contemplate This”, TBC, maio 2000), exercícios de yoga e alongamento. Emergentes liturgias embasadas nas igrejas Católica Romana e Ortodoxa, ritos e sacramentos foram introduzidos, inclusive a oportunidade de se fazer “oração do labirinto”. Esta última é uma oração meditativa, andando-se em círculos, algo copiado num desenho da Catedral de Chartres. Esse ritual místico data da Idade Média, tendo se tornado um substituto às jornadas feitas perigosamente à Terra Santa, quando a mesma foi controlada pelos muçulmanos, a qual consistia em percorrer a “via sacra” de Jesus. À medida em que os católicos caminhavam pelo labirinto, meditando sobre os sofrimentos de Cristo, eles imaginar estar obtendo as mesmas indulgências (o perdão que abrevia as penas do purgatório para a expiação dos pecados) como se estivessem fazendo a peregrinação.

Os programas vespertinos da Convenção incluíam atos de comédia cristã. O “pintor de Jesus” (que pinta retratos de Jesus em menos de 20 minutos), a Igreja Tribal da Experiência com Tambores (Tribe Church Drumming Experience), a Discussão Sobre a Saúde Emocional Pessoal , um Pub emergente com música ao vivo [Pub é um tipo de bar, onde os londrinos costumam bater papo diante de uma bebida, depois do expediente - Mary Schultze], Cultos de Oração Contemplativa a Altas Horas (Late Night Contemplative Prayer Services), etc.

A maior porcentagem de oradores era constituída de praticantes de formas místicas de oração e adoração (apresentadas como autênticas), sendo que o restante parecia defender, ou pelo menos encorajar, o desenvolvimento de novas metodologias e liturgias para a emergente cultura do século 21. Um dos tópicos tinha o título de “A New Theology for a New World” (Uma Nova Teologia para um Mundo Novo).

A conferência, que aconteceu em dois lugares  e atraiu milhares, apresentou muitos líderes eclesiásticos influentes, como Gordon MacDonald, Henry Cloud, Brennan Manning, Dallas Willard, Joseph Stowell, Howard Hendricks, Gary Thomas, Tony Compolo e Rick Warren. A Convenção 2005 promete ser mais do que a costumeira, com cristãos contemplativos e experimentais, líderes de igrejas emergentes, tais como Richard Foster, Calvin Miller, Philip Yancy, Rugh Haley Barton, Doug Pagitt e Dan Kimbal.

A maior parte do cristianismo, segundo as Escrituras, avançará até se tornar uma igreja apóstata, à medida em que vai se aproximando a Volta de Cristo. Jesus disse aos seus discípulos: “É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem!” (Lucas 17:1). Em seguida, Ele fez esta pergunta: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8).

A resposta óbvia é Não!!!

Como é possível que isso aconteça? O essencial amor à verdade está sendo extinto, conforme 1 João 2:16: “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo”. A igreja professa, constituída de falsos  e verdadeiros crentes, está se voltando gradualmente para a mundana filosofia hedonista, para a sua pseudociência, para a sua auto-orientada psicologia, para os seus métodos de negócios dirigidos ao consumismo, para o seu ecumenismo religioso e para a sua espiritualidade pagã. Ironicamente alguns têm se voltado para essas coisas com sinceridade, achando ser um meio de enriquecer e difundir o cristianismo. Contudo, o resultado é o cristianismo consumista em algumas e em todas as suas formas de auto-serviço, no qual “cada um faz o que parece bem aos seus olhos” (Juízes 17:6; 21:25).

Quanto aos sinais que poderão afetar adversamente a Sua Vinda, Jesus admoestou os Seus discípulos, dizendo: “Acautelai-vos, que ninguém vos engane” (Mateus 24:4). Se já não estamos pertencendo à geração que está encarando o “grande engano”, em preparação para esse dia, será que haverá outra pior? Oremos para que o Seu Corpo de  crentes cresça no amor pelo Seu Caminho, Sua Palavra e Sua Verdade!

T. A. McMahon

Fonte: Título original, “O Cristianismo Consumista”,

Chamada Bereana, março de 2005/ http://www.thebereancall.org/

Mary Schultze/ http://www.maryschultze.com

Sendo Cristão Sem Ser de Cristo

Posted in Falso Evangelho on 26/09/2010 by Roberto Aguiar

A Bíblia não esconde o fato de que além do cristianismo verdadeiro, legítimo, renascido da “água e do espírito”, há também um cristianismo aparente, formado por “cristãos” que não estão ligados a Jesus, não estão enraizados nEle, não vivem nEle e nem por Ele. Mesmo que tudo pareça legítimo, eles não passam de uma imitação. É desses “cristãos” que Paulo fala ao escrever a Timóteo, em sua segunda carta: “…tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes” (2 Tm 3.5). A Edição Revista e Corrigida diz: “…tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”. Na Nova Versão Internacional lemos: “…tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se desses também”.

Sendo cristão sem ser cristão

De acordo com pesquisas nos EUA, quase metade dos americanos se dizem cristãos renascidos. Mas uma análise mais aprofundada revelou que muitos confundem o novo nascimento com uma sensação positiva a respeito de Deus e de Jesus.

Um levantamento estatístico entre os cristãos praticantes nos EUA apresenta resultados desanimadores, o que também é representativo em relação à Europa:

  • 20% nunca oram
  • 25% nunca lêem a Bíblia
  • 30% nunca vão à igreja
  • 40% não apóiam a “obra do Senhor” por meio de ofertas
  • 50% nunca vão à Escola Bíblica Dominical (de todas as faixas etárias)
  • 60% nunca vão a um culto vespertino
  • 70% nunca dão dinheiro para missões
  • 80% nunca freqüentam uma reunião de oração
  • 90% nunca realizam culto em família [1]

Se a situação já é assim na América marcada pela influência do puritanismo, quanto mais na superficial Europa.

O próprio Senhor Jesus advertiu a respeito da confissão nominal, que carece de conteúdo verdadeiro, ou seja, que não está de acordo com o que vai no coração: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt 7.21-23). Com isso, o Senhor esclarece quatro pontos básicos: há duas coisas que não são de forma alguma suficientes para que alguém seja salvo, e outras duas são imprescindíveis para que alguém seja redimido.

Duas coisas insuficientes para a salvação

Nem a simples confissão “Senhor, Senhor” (1) nem as obras em nome de Jesus (2) são suficientes para alcançar a salvação eterna. Em muitas igrejas, denominações e entidades cristãs as orações são meramente formais, os atos de caridade são feitos em nome de Jesus sem que aqueles que os realizam pertençam a Ele ou sejam filhos de Deus. Quantos indivíduos “cristãos” realizam atos cristãos sem pertencerem a Cristo! É assustador que no fim Jesus até mesmo condena as suas ações como sendo iníquas: “Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”.

Duas coisas imprescindíveis para a salvação

Precisamos fazer a vontade de Deus (1) e precisamos ser conhecidos por Deus (2).

1. Fazer a vontade do Pai celeste não é realizar muitas boas ações, pequenas e grandes, mas ter fé em Jesus Cristo, entregar conscientemente a vida a Ele e obedecer-Lhe na prática.

O judaísmo da época de Jesus tinha “boas ações” para apresentar: muitos eram fanáticos em seguir a lei, lidavam com a Palavra de Deus, expulsavam maus espíritos e faziam milagres. Mas uma coisa eles não queriam: crer em Jesus Cristo e, assim, aceitar a misericórdia que recebemos por meio dEle. Pensavam que chegariam ao céu sem Ele, que Deus reconheceria as suas obras e lhes permitiria entrar. Porém, foi justamente nesse ponto que Jesus tratou de contrariar seus planos. Eles tinham de aprender e aceitar que a vontade de Deus era que reconhecessem sua própria falência espiritual e cressem em Jesus.

Nós enfrentamos o mesmo problema hoje. “Cristãos” nascidos em um ambiente cristão pensam que conseguirão ir para o céu por meio de obras cristãs. Ao lhes dizermos que nada disso serve, que no fim das contas as suas ações são iniqüidades inaceitáveis aos olhos de Deus e que eles continuam perdidos, a grande maioria reage de forma irritada, por pensar que não precisam de Jesus pessoalmente. Quando Jesus foi questionado: “Que faremos para realizar as obras de Deus?”, Ele respondeu: “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado” (Jo 6.28-29).

2. Precisamos ser conhecidos por Deus. Haverá pessoas das quais Jesus dirá naquele dia:“Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”.

Não é suficiente crer em Jesus de forma superficial, reconhecê-lO, acreditar em Sua existência ou aceitá-lO até certo ponto. Não – é preciso que haja um encontro pessoal com Ele.

Posso dizer: “Conheço o presidente do Brasil”. De onde o conheço? De suas aparições na mídia. Mas será que ele me conhece? Claro que não! No entanto, se eu fosse convidado a visitá-lo, teria a oportunidade de ser conhecido por ele.

O Senhor Jesus convida cada ser humano, de forma pessoal, a entregar-se a Ele: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Quem aceita esse convite, quem se achega a Ele com todos os seus pecados, quem O aceita em seu coração e em sua vida e crê em Seu nome (Jo 1.12), esse é conhecido por Ele. Quem fez isso reconheceu o Pai e o Filho de Deus e entrará no céu: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3).

“Tens nome de que vives…

…e estás morto” (Ap 3.1). Há muitos que se chamam de “cristãos”, mas o são apenas nominalmente. O Senhor Jesus falou de pessoas que imaginariam servir a Deus matando justamente Seus verdadeiros filhos: “Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus. Isto farão porque não conhecem o Pai, nem a mim” (Jo 16.2-3).

Em muitas igrejas, denominações e entidades cristãs as orações viraram rotinas, sem que aqueles que oram pertençam a Jesus.

Eles reivindicam autoridade teológica, pensam servir a Deus, mas não conhecem nem o Pai nem Jesus Cristo. Isso aconteceu, por exemplo, na época das Cruzadas e da Inquisição. Hoje também existe uma teologia que reivindica toda autoridade para si e rejeita os que se baseiam na Palavra de Deus. Basta lembrar das muitas seitas e do islamismo, que afirmam que Deus não tem um Filho.

Já no século VII antes de Cristo, na época do profeta Jeremias, havia dignitários religiosos meramente nominais. Ouvimos o lamento de Jeremias: “Os sacerdotes não disseram: Onde está o Senhor? E os que tratavam da lei não me conheceram, os pastores prevaricaram contra mim, os profetas profetizaram por Baal e andaram atrás de coisas de nenhum proveito” (Jr 2.8).

Mesmo um cristão pode apostatar da fé. Quem com sua boca confessa ser cristão, mas não pratica o cristianismo no dia-a-dia, precisa aceitar que outros lhe perguntem se não está enganando a si mesmo.

Não é exatamente isso que vemos hoje? Muitos teólogos abandonaram a fé bíblica e correm atrás de convicções que não servem para nada. Eles se abriram para religiões e correntes espirituais que não têm absolutamente nada a ver com Jesus Cristo. Isso também já aconteceu na época em que o povo de Israel peregrinou pelo deserto. Depois de ter louvado a grandeza e a soberania de Deus (Dt 32.3-4), Moisés emendou uma declaração sobre os infiéis: “Procederam corruptamente contra ele, já não são seus filhos, e sim suas manchas; é geração perversa e deformada” (v.5). Portanto, realmente é possível que aqueles que não são Seus filhos se tornem infiéis a Ele.

É dito a respeito dos filhos de Eli: “Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial e não se importavam com o Senhor… Era, pois, mui grande o pecado destes moços perante o Senhor, porquanto eles desprezavam a oferta do Senhor” (1 Sm 2.12,17). Não reconheceram ao Senhor porque desprezaram o sacrifício. Enquanto uma pessoa (por mais cristã que se considere) desprezar o sacrifício de Jesus pelo pecado, não reconhecerá o Senhor.

Todos os israelitas saíram do Egito, mas da maior parte deles Deus não se agradou, motivo pelo qual tiveram de morrer no deserto (veja 1 Co 10.1-12).

Como exemplo especial de alguém que era crente nominal e que realizava obras, mas que ainda assim estava espiritualmente morto, lembro de Balaão (veja Nm 22-24):

  • Ele era um homem a quem Deus se revelava, com quem Deus falava (Nm 22.9).
  • No começo ele foi obediente (Nm 22.12-14).
  • Ele afirmava conhecer o Senhor e O chamou de “meu Senhor” e “meu Deus” (Nm 22.18).
  • Ele adorava o Senhor (Nm 22.31).
  • Ele reconhecia a sua culpa (Nm 22.34).
  • Ele estava disposto a servir (Nm 22.38).
  • Deus colocou Suas próprias palavras na boca de Balaão (Nm 23.5).
  • Balaão abençoou Israel três vezes (Nm 23 e 24).
  • Ele testemunhou da sinceridade e da fidelidade de Deus (Nm 23.19).
  • Ele falou três vezes do Messias como Rei de Israel (Nm 23.21; Nm 24.7,17-19).
  • O Espírito Santo veio sobre ele (Nm 24.2).
  • Ele testemunhava ser um profeta de Deus (Nm 24.3-4).
  • Balaão confirmou a bênção e a maldição de Deus sobre os amigos e inimigos de Abraão (Nm 24.9, Gn 12.3).
  • Ele colocou o mandamento de Deus acima de bens materiais (Nm 24.13).
  • Ele falou profeticamente a respeito do futuro dos povos, sobre a chegada do Messias e chegou a mencionar o Império Mundial Romano [Quitim] (Nm 24.14-24).

Apesar de tudo isso, a Bíblia chama Balaão de falso profeta, vidente e sedutor (veja Nm 31.16; Js 13.22; Ne 13.1-3; 2 Pe 2.15-16; Jd 11; Ap 2.14-16). Por quê? Porque Balaão fazia concessões e aceitava comprometimentos, e levou o povo de Deus a se misturar com outros povos. Havia uma discrepância entre suas palavras e ações. “Habitando Israel em Sitim, começou o povo a prostituir-se com as filhas dos moabitas. Estas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu e inclinou-se aos deuses delas. Juntando-se Israel a Baal-Peor, a ira do SENHOR se acendeu contra Israel” (Nm 25.1-3). Balaão havia levado Israel a essa prostituição (Nm 31.16; Ne 13.1-3). Pedro chama Balaão de alguém que“amou o prêmio da injustiça”. Na Epístola de Judas ele é chamado até mesmo de enganador (“erro de Balaão”) e no Apocalipse ele é apresentado como alguém que “armou ciladas”.

A Bíblia diz a respeito das pessoas nos últimos tempos que “os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (2 Tm 3.13). Quem tende a prostituir-se espiritualmente ou a comprometer sua fé e suporta, permite e pratica essas coisas sem que sua consciência o acuse, tem motivo para crer que, apesar das aparências, não é um cristão verdadeiro. Com isso não estou me referindo à luta contra o pecado, que qualquer filho de Deus enfrenta. Não, aqui não se trata de “derrotas” na fé e na obediência, mas de lidarmos com o pecado de forma consciente e indiferente, de deliberadamente escolhermos a prática pecaminosa.

Não somos salvos por nossas próprias obras, mas somente pela fé em Jesus Cristo, pela conversão a Ele. Só aqueles que O aceitam, ao Filho de Deus, em seu coração e em sua vida, com fé infantil, poderão realizar obras que testemunhem a veracidade de sua fé. Essa fé precisa estar “enraizada” na Palavra de Deus. Em Sua parábola sobre o semeador, Jesus diz que há pessoas que aceitam a Palavra de Deus com alegria, mas não criam raízes para ela e mais tarde a abandonam (Mt 13.20-21). A raiz liga a planta à terra, da qual ela vive, lhe dá firmeza, extrai alimento e o conduz à planta. A raiz é um símbolo do Espírito Santo, por meio do qual estamos enraizados em Deus. O Espírito Santo nos traz a vida em Deus, à medida que extrai alimento das Escrituras.

Podemos aceitar a Palavra de Deus de forma superficial, podemos simpatizar com o Senhor, podemos acompanhar os cristãos durante algum tempo, mas depois nos afastar novamente, porque nunca nascemos realmente de novo e por isso nunca tivemos “raízes”.

Jesus disse aos Seus discípulos, àqueles que O seguiam: “Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair” (Jo 6.64). De acordo com Hebreus 6.4-6, há pessoas que foram “iluminadas”, que “provaram o dom celestial”, e que até “se tornaram participantes do Espírito Santo” e ainda assim caíram. Por quê?

  • Porque foram iluminadas, mas elas mesmas nunca se tornaram luz. A luz pode se refletir em mim, e então estou iluminado; mas é preciso mais para que eu mesmo seja luz.
  • Porque provaram, mas não comeram (aceitaram). Posso sentir o cheiro do pão, provar o seu sabor (assim como o enólogo, que toma um pouco de vinho na boca para testar seu aroma, mas depois o cospe fora). Mas é preciso que aconteça mais: precisamos comer o pão, ingeri-lo. Não basta “provar” Jesus, ou seja, experimentá-lO – precisamos aceitá-lO em nós (Jo 6.53-56,63; Jo 1.12).
  • Porque participaram do efeito do Espírito Santo, mas nunca O receberam pessoalmente. Ao ler a Palavra de Deus, ao freqüentar um culto, posso participar do efeito do Espírito Santo. Mas isso não é suficiente. Não – é preciso que haja uma renovação espiritual real.

É possível que pessoas assim imitem o cristianismo durante algum tempo, acompanhem e participem de uma igreja local. Mas um dia elas “cairão” e negarão a Jesus. Então muitos se perguntam espantados: “Como isso é possível?”

Quando o Senhor Jesus falou de comer Sua carne e beber Seu sangue para ganhar a vida eterna (Jo 6.53-59), muitos de Seus discípulos disseram: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” (v. 60) e se afastaram dEle (v. 66), apesar dEle ter lhe explicado de antemão o que isso significava: “O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida” (v. 63).

Tornar-se cristão apesar de ser “cristão”

Enganam-se a si mesmos os que pensam que todos são cristãos! Muitas vezes, quando questionei pessoas que davam a entender isso, a resposta era: “Meus pais são cristãos”, ou: “Minha família é cristã!” Um conhecido evangelista costumava responder a essas afirmativas: “Se alguém nasce em uma garagem, isso não significa que seja um automóvel! E quando alguém nasce em uma família cristã, ainda falta muito para que se torne cristão!” (extraído de um livro de Wilhelm Busch).

Jesus disse a Pedro: “Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos” (Lc 22.32). Por um lado, o Senhor confirmou a fé de Pedro. Por outro lado, porém, Ele falou da necessidade de sua conversão futura. Pedro poderia ter retrucado: “Senhor, sou judeu, um filho de Abraão. Cumpro os mandamentos, fui circuncidado ao oitavo dia, guardo o sábado, oro três vezes ao dia, celebro a Páscoa e faço os sacrifícios. E  já Te sigo há três anos…” Mesmo assim, ele ainda precisava converter-se. Da mesma forma Paulo, o grande defensor da lei, precisou se converter, assim como todos os outros apóstolos e discípulos.

Toda pessoa precisa se converter se quiser ser salva – inclusive os “cristãos”, sejam eles membros da igreja católica romana, protestantes, evangélicos ou de uma família cristã. Não são poucos os que nascem no cristianismo, da mesma forma como os judeus nascem no judaísmo. Mas, não é esse nascimento que dá a salvação, alcançada somente através de um “novo nascimento”: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). Precisamos nos converter mesmo que tenhamos sido batizados quando pequenos, freqüentado aulas de catecismo ou participado de cultos. Se não nascermos de novo, continuaremos perdidos.

Mais tarde, quando o apóstolo Pedro se converteu e experimentou o novo nascimento, ele escreveu em sua primeira carta: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros” (1 Pe 1.3-4).

Quem carrega em si o testemunho do Espírito Santo a respeito de seu novo nascimento (Rm 8.16) deve alegrar-se com essa certeza e agradecer a Jesus Cristo por ela. Mas quem não possui esse testemunho inconfundível do Espírito Santo e ainda assim pensa ser cristão, está sujeito a um grande engano. Mas hoje esses “cristãos”, e qualquer pessoa que queira ser salva, pode alcançar a certeza da salvação, se converter-se de forma muito séria a Jesus Cristo. Então, por que esperar mais?

Norbert Lieth

Fonte: Título original, “O Grande Engano”, Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, dezembro de 2006.

Não Acredite em Todo Evangelho que lhe Pregarem

Posted in Falso Evangelho on 09/09/2010 by Roberto Aguiar

Satanás não é um inovador, mas um imitador. Deus tem seu Filho unigênito – o Senhor Jesus? Tal qual Satanás tem “o filho da perdição” (II Tessalonicenses 2:3). Há uma Santa Trindade? Há de igual modo uma trindade do mal (Apocalipse 20:10). Lemos sobre os “filhos de Deus”? Do mesmo modo lemos também sobre “os filhos do maligno” (Mateus 13:38). Deus opera nestes que foram citados de modo a determinar e fazer a Sua vontade? Então somos informados que Satanás é “o espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Efésios 2:2). Há o “mistério da piedade” (I Timóteo 3:16)? Há também o “mistério da injustiça” (II Tessalonicenses 2:7). Aprendemos que Deus através de Seus anjos “assinala” os Seus servos nas suas testas (Apocalipse 7:3)? Assim também aprendemos que Satanás através de seus agentes assinala nas testas os seus devotos (Apocalipse 13:16). É-nos dito que “o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus” (I Coríntios 2:10)? Então Satanás também provê suas “coisas profundas” (grego de Apocalipse 2:24). Cristo faz milagres? De igual modo Satanás também pode fazê-los (II Tessalonicenses 2:9). Cristo está sentando sobre um trono? Também Satanás o está (Apocalipse 2:13). Cristo tem uma Igreja? Então Satanás tem a sua “sinagoga” (Apocalipse 2:9). Cristo é a Luz do mundo? Então o próprio Satanás “se transfigura em anjo de luz” (II Coríntios 11:14). Cristo designou “apóstolos”? Então Satanás tem seus apóstolos também (II Coríntios 11:13). E isto nos leva a considerar o “Evangelho de Satanás”.

Satanás é o maior dos falsificadores. O Diabo está agora ocupado em trabalhar no mesmo campo no qual o Senhor semeou a boa semente. Ele está buscando evitar o crescimento do trigo através de outra planta, o joio, o qual é muito próximo do trigo em aparência. Em uma frase: por meio da falsificação ele está buscando neutralizar a Obra de Cristo. Por essa razão, como Cristo tem um Evangelho, Satanás tem um evangelho também; sendo este uma astuta falsificação do primeiro. O evangelho de Satanás se parece tão proximamente com aquele que ele imita, que multidões de não salvos são enganadas por ele.

É a este evangelho de Satanás que o apóstolo se referia quando disse aos Gálatas: “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo” (Gálatas 1:6-7). Este falso evangelho estava sendo proclamado já nos dias do apóstolo, e a mais terrível maldição foi proclamada sobre aqueles que o pregam. O apóstolo continua: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema”.

O evangelho de Satanás não é um sistema de princípios revolucionários, nem ainda é um programa de anarquia. Ele não promove a luta e a guerra, mas objetiva a paz e a unidade. Ele não busca colocar a mãe contra sua filha, nem o pai contra seu filho, mas busca nutrir o espírito de fraternidade, por meio do qual a raça humana deve ser considerada como uma grande “irmandade”. Ele não procura deprimir o homem natural, mas aperfeiçoá-lo e erguê-lo. Ele advoga a educação e a cultura e apela para “o melhor que está em nosso interior” – Ele objetiva fazer deste mundo uma habitação tão confortável e apropriada, que a ausência de Cristo não seria sentida, e Deus não seria necessário. Ele se esforça para deixar o homem tão ocupado com este mundo, que não tem tempo ou disposição para pensar no mundo que está por vir. Ele propaga os princípios do auto-sacrifício, da caridade, e da boa-vontade, e nos ensina a viver para o bem dos outros, e a sermos gentis para com todos. Ele tem um forte apelo para a mente carnal, e é popular com as massas, porque deixa de lado o fato gravíssimo de que, por natureza, o homem é uma criatura caída, apartada da vida com Deus, e morta em ofensas e pecados, e que sua única esperança reside em nascer novamente.

Contradizendo o Evangelho de Cristo, o evangelho de Satanás ensina a salvação pelas obras. Ele inculca a justificação diante de Deus em termos de méritos humanos. Sua frase sacramental é “Seja bom e faça o bem”; mas ele deixa de reconhecer que lá na carne não reside nenhuma boa coisa. Ele anuncia a salvação pelo caráter, o que inverte a ordem da Palavra de Deus – o caráter como fruto da salvação. São muitas as suas várias ramificações e organizações: Temperança, Movimentos de Restauração, Ligas Socialistas Cristãs, Sociedades de Cultura Ética, Congresso da Paz1 estão todos empenhados (talvez inconscientemente) em proclamar o evangelho de Satanás – a salvação pelas obras. O cartão da seguridade social substitui Cristo; pureza social substitui regeneração individual, e, política e filosofia substituem doutrina e santidade. A melhoria do velho homem é considerada mais prática que a criação de um novo homem em Cristo Jesus; enquanto a paz universal é buscada sem que haja a intervenção e o retorno do Príncipe da Paz.

Os apóstolos de Satanás não são donos de bares ou traficantes de mulheres, mas são em sua maioria ministros do evangelho legalmente ordenados. Milhares dos que ocupam nossos modernos púlpitos não estão mais engajados em apresentar os fundamentos da Fé Cristã, mas têm se desviado da Verdade e têm dado ouvidos às fábulas. Ao invés de magnificar a enormidade do pecado e estabelecer suas eternas conseqüências, o minimizam ao declarar que o pecado é meramente ignorância ou ausência do bem. Ao invés de alertar seus ouvintes para “escaparem da ira futura”, fazem de Deus um mentiroso ao declarar que Ele é por demais amoroso e misericordioso para enviar quaisquer de Suas próprias criaturas ao tormento eterno. Ao invés de declarar que “sem derramamento de sangue não há remissão”, eles meramente apresentam Cristo como o grande Exemplo e exortam seus ouvintes a “seguir os Seus passos”. Deles é preciso que seja dito: “Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus” (Romanos 10:3). A mensagem deles pode soar muito plausível e seu objetivo parecer muito louvável, mas, ainda sobre eles nós lemos: – “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras” (II Coríntios 11:13-15).

Somando-se ao fato de que hoje centenas de igrejas estão sem um líder que fielmente declare todo o conselho de Deus e apresente Seu meio de salvação, também temos que encarar o fato de que a maioria das pessoas nestas igrejas está muito distante de conseguir descobrir a verdade por si mesma. O culto doméstico, onde uma porção da Palavra de Deus era costumeiramente lida diariamente, é agora, mesmo nos lares de Cristãos professos, basicamente uma coisa do passado. A Bíblia não é exposta no púlpito e não é lida no banco da igreja. As demandas desta era agitada são tão numerosas, que multidões têm pouco tempo, e ainda menos disposição, para fazer uma preparação para o encontro com Deus. Por essa razão, a maioria, aqueles que são negligentes o bastante para não pesquisarem por si mesmos, são deixados à mercê dos homens a quem pagam para pesquisar por eles; muitos dos quais traem a verdade deles, por estudar e expor problemas sociais e econômicos ao invés dos Oráculos de Deus.

Em Provérbios 14:12 lemos: “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte”. Este “caminho” que termina em “morte” é a Ilusão do Diabo – o evangelho de Satanás – um caminho de salvação através da realização humana. É um caminho que “parece direito”, o qual, é preciso que se diga, é apresentado de um modo tão plausível que ganha a simpatia do homem natural; é pregado de forma tão habilidosa e atrativa, que se torna recomendável à inteligência dos seus ouvintes. Por incorporar a si mesmo terminologia religiosa, algumas vezes apela para a Bíblia como seu suporte (sempre que isto se ajusta aos seus propósitos), mantém diante dos homens ideais elevados, e é proclamado por pessoas que têm graduação em nossas instituições teológicas, e incontáveis multidões são atraídas e enganadas por ele.

O sucesso de um falsificador de moedas depende em grande medida de quão proximamente a falsificação lembra o artigo genuíno. A heresia não é uma total negação da verdade, mas sim, uma deturpação dela. Por isto é que uma meia verdade é sempre mais perigosa que uma completa mentira. É por isso que quando o Pai da Mentira assume o púlpito, não é seu costume claramente negar as verdades fundamentais do Cristianismo, antes ele tacitamente as reconhece, e então procede de modo a lhes dar uma interpretação errônea e uma falsa aplicação. Por exemplo, ele não seria tão tolo de orgulhosamente anunciar sua descrença em um Deus pessoal; ele dá a Sua existência como certa, e então apresenta uma falsa descrição da Sua natureza. Ele anuncia que Deus é o Pai espiritual de todos os homens, que as Escrituras claramente nos dizem que nós somos: “filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gálatas 3:26), e que “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (João 1:12). E mais adiante, ele declara que Deus é por demais misericordioso para em algum momento enviar qualquer membro da raça humana no Inferno, mesmo havendo o próprio Deus dito que: “aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Apocalipse 20:15). Novamente, Satanás não seria tão tolo, a ponto de ignorar a figura central da história humana – o Senhor Jesus Cristo; ao contrário, seu evangelho O reconhece como sendo o melhor homem que já viveu. A atenção é então levada para os Seus feitos de compaixão e para as Suas obras de misericórdia, para a beleza de Seu caráter e a sublimidade de Seu ensino. Sua vida é elogiada, mas Sua morte vicária é ignorada, a importantíssima obra reconciliadora da cruz não é mencionada, enquanto Sua triunfante e corpórea ressurreição dos mortos é considerada como uma crendice de uma época de muita superstição. É um evangelho sem sangue, e apresenta um Cristo sem cruz, que é recebido não como Deus manifesto em carne, mas meramente como o Homem Ideal.

Em II Coríntios 4:3 temos uma passagem que derrama muita luz sobre o nosso presente tema. Lá nos é dito que: “se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século [Satanás] cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”. Ele cega as mentes dos não crentes ao esconder a luz do Evangelho de Cristo, e faz isto substituindo-o pelo seu próprio evangelho. Apropriadamente ele é chamado de “o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo” (Apocalipse 12:9). Em meramente apelar para “o melhor que está no homem”, e ao simplesmente exortá-lo a “seguir uma vida de retidão” ele está criando uma plataforma genérica sobre a qual pessoas com qualquer matiz de opinião podem se unir e proclamar uma mensagem comum.

Novamente citando Provérbios 14:12 – “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte”. Tem sido dito com considerável grau de verdade que o caminho para o Inferno está pavimentado com boas intenções. Haverá muitos no Lago de Fogo que recomendaram suas vidas com boas intenções, decisões honestas e ideais elevados – aqueles que foram justos em seus procedimentos, corretos em suas transações e caridosos em todos os seus caminhos; homens que se orgulharam da sua integridade, mas que buscaram justificar a si mesmos diante de Deus por sua própria justiça; homens que foram morais, misericordiosos e generosos, mas que nunca viram a si mesmos como culpados, perdidos, pecadores merecedores do inferno, necessitados de um Salvador. Este é o caminho que “parece direito”. Este é o caminho que recomenda a si mesmo à mente carnal e se faz atraente às multidões de iludidos dos dias atuais. A Ilusão do Diabo é que nós podemos ser salvos por nossas próprias obras, e justificados por nossos próprios feitos; enquanto que, Deus nos diz em Sua Palavra: “pela graça sois salvos, por meio da fé… Não vem das obras, para que ninguém se glorie”. E também: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou…”

Há alguns anos atrás, conheci um homem que era um pregador leigo e um entusiasmado “obreiro Cristão”. Por mais de sete anos este amigo esteve engajado na pregação pública e em atividades religiosas, mas com base em certas expressões e frases que usava, eu duvidava que este amigo fosse um homem renascido. Quando começamos a questioná-lo, descobrimos que ele foi muito mal instruído nas Escrituras e tinha somente uma vaga concepção da Obra de Cristo pelos pecadores. Por um tempo procuramos apresentar-lhe o caminho da salvação, de uma maneira simples e impessoal, e a encorajar nosso amigo a estudar a Palavra por Ele mesmo, na esperança de que se ele estivesse ainda sem a salvação, Deus se agradaria em revelar o Salvador de que necessitava.

Uma noite, para nossa alegria, aquele que tinha pregado o Evangelho (?) por tantos anos, confessou que havia encontrado a Cristo na noite anterior. Ele admitiu (para usar suas próprias palavras) que estava apresentando um “Cristo ideal”, mas não o Cristo da Cruz. Acredito que haja milhares como este pregador, os quais, talvez, tenham crescido na Escola Dominical, foram instruídos sobre o nascimento, a vida, e os ensinos de Jesus Cristo, crêem na historicidade de Sua pessoa, intermitentemente se esforçam para praticar Seus preceitos, e pensam que isto é tudo o que é necessário para a sua salvação.

Frequentemente, estas pessoas quando atingem a maturidade vão para o mundo, e se deparam com o ataque dos ateístas e infiéis, e lhes é dito que uma pessoa tal qual Jesus de Nazaré nunca viveu. Mas, as impressões dos dias da mocidade não são facilmente apagadas, e eles permanecem firmes em sua declaração de que “crêem em Jesus Cristo”. Apesar disso, quando sua fé é examinada, muito frequentemente descobre-se que ainda que creiam em muitas coisas sobre Jesus Cristo, eles de fato não crêem Nele. Crêem com seu intelecto que tal pessoa viveu (e, porque crêem desta forma imaginam, então, que estão salvos), mas nunca baixaram as armas em sua luta contra Ele, rendendo-se a Ele, nem verdadeiramente creram com seu coração Nele.

A simples aceitação de uma doutrina ortodoxa sobre a pessoa de Cristo, sem o coração ter sido ganho por Ele, e a vida ter sido devotada a Ele, é outra etapa deste caminho “que ao homem parece direito”, mas que cujo fim “são os caminhos da morte”, ou, em outras palavras, é outro aspecto do evangelho de Satanás.

E agora, onde você está? Você está no caminho “que parece direito”, mas que termina em morte; ou, está no Caminho Estreito que conduz à vida? Você realmente abandonou o Caminho Espaçoso que conduz à perdição? Tem o amor de Cristo criado, em seu coração, aversão e horror a tudo o que Lhe desagrada? Você está desejoso de que Ele possa “reinar sobre” você? (Lucas 19:14) Você está confiando inteiramente na justiça e no sangue de Cristo para a sua aceitação junto a Deus?

Aqueles que estão confiando em uma forma exterior de religiosidade, tal qual o batismo ou a “crisma” (confirmação), aqueles que são religiosos porque isto é considerado como uma marca de respeitabilidade; aqueles que freqüentam alguma Igreja ou Congregação porque está na moda fazer isto; e, aqueles que se unem a algumas Denominações porque supõem que este seja um passo que os capacitará a se tornarem Cristãos, estão no caminho que “termina em morte” – morte espiritual e eterna. Mesmo sendo puros os nossos motivos, mesmo sendo nobres as nossas intenções, mesmo sendo bem intencionados os nossos propósitos, mesmo sendo sinceros os nossos esforços, Deus não nos reconhecerá como Seus filhos, até que aceitemos o Seu Filho.

Uma forma ainda mais ilusória do Evangelho de Satanás está levando os pregadores a apresentar o sacrifício reconciliador de Cristo, e então dizer à sua audiência que tudo o que Deus requer deles é que “creiam” no Seu Filho. Por meio disto milhares de almas impenitentes são iludidas, e passam a pensar que foram salvas. Mas Cristo disse: “se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” (Lucas 13:3). “Arrepender-se” é odiar o pecado, entristecer-se por causa dele, e desviar-se dele. É o resultado do Espírito tornando o coração contrito diante de Deus. Nada, exceto um coração quebrantado pode crer de modo salvífico no Senhor Jesus Cristo.

Mais uma vez, milhares estão sendo enganados, ao serem levados a supor que “aceitaram a Cristo” como seu “Salvador pessoal”, sem primeiro O terem recebido como seu SENHOR. O Filho de Deus não veio aqui para salvar Seu povo nos seus pecados, mas “dos seus pecados” (Mateus 1:21). Para ser salvo dos pecados, é preciso deixar de ignorar e de tentar despistar a autoridade de Deus, é abandonar o curso de vida de acordo com a própria vontade e a satisfação pessoal, é “deixar o nosso caminho” (Isaías 55:7). É nos render à autoridade de Deus, nos entregar ao Seu domínio, e ceder a nós mesmos para que sejamos controlados por Ele. Aquele que nunca tomou o jugo de Cristo sobre si, que não busca verdadeira e diligentemente agradá-Lo em todos os detalhes da vida, e ainda supõe que está “confiado na Obra Consumada de Cristo” está iludido pelo Diabo.

No sétimo capítulo de Mateus há duas passagens que nos mostram os resultados aproximados do Evangelho de Cristo e da falsificação de Satanás. Primeiro, nos versos 13-14: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem”. Depois, nos versos 22-23: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos [pregamos] nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”. Sim, meu caro leitor, é possível trabalhar em nome de Cristo, ou mesmo pregar em seu nome, e também o mundo nos conhecer, e a Igreja nos conhecer, e ainda assim sermos desconhecidos ao Senhor! Quão necessário é então descobrir onde nós estamos; examinar a nós mesmos e ver se nós estamos na fé; medir a nós mesmos pela Palavra de Deus e ver se estamos sendo enganados por nosso astuto Inimigo, descobrir se estamos construindo nossa casa sobre a areia, ou se ela está erigida sobre a Rocha que é Jesus Cristo.

A.W. Pink

Fonte: http://www.luz.eti.br – Título original, “ Outro Evangelho”; Editora Fiel, uma parte da série, “Fé Para Hoje”. Tradução, Walter Andrade Campelo.

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