Como a Espiritualidade Feminista Está Transformando Negativamente a Igreja


“O Deus feminino vai se transformar. Nós, mulheres… transformaremos tanto o mundo que não haverá mais lugar para o Deus masculino.” [Naomi Goldenberg, em Changing of the Gods: Feminism and the End of Traditional Religions (A Troca dos Deuses: o Feminismo e o Fim das Religiões Tradicionais). A doutora Naomi é Professora Titular do Departamento de Estudos Clássicos e Estudos Religiosos da universidade de Ottawa no Canadá.

“A religião e a cultura estão sempre mudando, sempre se transformando… Somos as transformadoras e criadoras das nossas próprias tradições religiosas e culturais.” [Seminário "Mulheres, Religião e Cultura", Conferência da ONU Sobre a Mulher, em Pequim].

A luta de Peggy parecia interminável. Ela queria estar perto de Deus, mas raramente sentia sua presença. Ela queria que seu filho adolescente amasse a Deus, mas os pôsteres ocultistas no quarto dele tornaram-se lembretes diários das orações não respondidas. Ela se filiou a um ministério cristão, mas mesmo assim não conseguiu alcançar uma relação satisfatória com Deus. Após certo tempo, deixou o ministério para voltar à faculdade.

Peggy me procurou alguns anos mais tarde e me disse que começava a se encontrar. Sua busca a levou para além das vozes familiares que haviam dado “respostas convenientes” às suas questões espirituais. O Deus bíblico não parecia mais relevante ou benevolente. Uma professora da faculdade havia sido especialmente importante em sua jornada rumo ao autodescobrimento. Essa professora e conselheira chamava a si mesma de bruxa — alguém que acredita no poder de fórmulas e rituais mágicos para invocar o poder das forças espirituais.

Alguns anos se passaram. Quando me procurou novamente, ela havia se separado do marido e se mudado.

- Precisava me encontrar. Minha jornada espiritual abriu meus olhos para todo um novo paradigma”, explicou.

- Um novo paradigma?”

- Sim. Uma nova forma de ver Deus e a mim mesma — e tudo o mais. É como nascer de novo.”

- Quem é Jesus Cristo para você agora?”, perguntei.

- Ele é um símbolo de redenção. Não rejeitei a Bíblia, mas estou apenas tentando fazer minha experiência espiritual do meu jeito. Tenho de ouvir minha própria voz e não deixar que outra pessoa faça as escolhas por mim. Enquanto isso, estou disposta a viver em confusão e mistério, e sinto que estou nas mãos de Deus, independente de Deus ser ele, ou ela.”

A jornada dela soa familiar? Como milhões de outras pessoas, Peggy anseia por uma espiritualidade prática, um senso de identidade, uma comunidade de seguidores que pensem de forma semelhante, e um Deus que ela possa sentir. Ela se recorda de versos bíblicos significativos, mas eles perderam a autoridade como diretrizes.

Ela se indaga por que Deus não é mais tolerante e de mente aberta. Afinal de contas, ele é o Deus de amor, não é? Talvez uma divindade feminina fosse mais misericordiosa, compreensiva e relevante para as mulheres. Talvez seja tempo de ir além das antigas restrições da verdade bíblica, rumo ao reino ilimitado dos sonhos, das visões e do autodescobrimento.

Multidões já foram. As antigas e esparsas jornadas em experiências da Nova Era tornaram-se uma larga avenida cultural rumo a uma espiritualidade autoproduzida. Muitas mulheres que participam de igrejas fluíram para esses caminhos místicos, e adaptaram suas antigas crenças às visões mais “inclusivas” de hoje. Afinal, disseram-lhes, a paz em um mundo pluralista exige uma visão mais aberta de todas as religiões e culturas.

Aquelas que concordam estão encontrando inúmeros caminhos para a “sabedoria” e a capacitação individual por meio de livros, revistas e novas formas de grupos femininos. Elas se reúnem em igrejas tradicionais, na YWCA (Associação Cristã de Moças), em retiros, em salas de estar… em qualquer lugar. Aqui, novas palavras e idéias estranhas — como “engramas”, re-imaginação, Círculos de Sofia, consciência global e “massa crítica” — oferecem fórmulas modernas para a transformação espiritual. Terapeutas, mentoras e diretoras espirituais prometem “locais seguros” em que as interessadas poderão descobrir sua própria verdade, aprender novos rituais, opinar sobre as experiências umas das outras e libertar-se das antigas regras e limitações.

Esse movimento está transformando nossas igrejas bem como nossa cultura. Ele atinge toda família que lê jornais, assiste televisão e envia seus filhos às escolas públicas. Ele está transformando as escolas cristãs e levando rapidamente nossa cultura para além do cristianismo e do humanismo, rumo a novos valores e crenças globais. Ninguém está imune às suas pressões sutis e aos seus estímulos silenciosos. O fato de ele se associar às outras mudanças sociais e movimentos globais apenas acelera a transformação. Entretanto, a maioria dos cristãos — como o sapo colocado na bacia com água fria levada ao fogo brando — ainda não percebeu o que está acontecendo.

As máscaras da deusa

A busca espiritual requer novas divindades ou uma redefinição das antigas divindades. A transformação inicia consigo mesma, dizem algumas, e as mulheres não podem se reinventar até que rompam as antigas amarras. Portanto, a busca por uma religião “mais relevante” requer novas visões de Deus e de sua verdade: imagens que troquem a santidade pela tolerância, o celestial pelo terreno e o Deus que está acima de nós por um deus que seja cada um de nós.

As imagens mais sedutoras são femininas. Elas podem parecer como os anjos dos cartões postais, fadas-madrinha, deusas gregas terrenas, sacerdotisas radiantes da Nova Era, ou mesmo uma Maria mítica, mas todas prometem amor incondicional, paz, poder e transcendência pessoal. Elas vão de imagens benignas que parecem cristãs às divindades míticas do paganismo popular:

Anjos

Terry usa um broche de anjo em sua jaqueta. Ela acredita que os estimados anjos de hoje em dia ofereçam todo tipo de ajuda, direção e encorajamento pessoal. Embora Deus lhe pareça distante e impessoal, ela conta com seu anjo particular para ajudá-la e amá-la. Ela me mostrou um jogo de cartas de anjos em uma prateleira em sua loja de presentes. “Que esse anjo da guarda possa… lhe dar esperança e vigor para enfrentar cada novo amanhecer”, sugeria um cartão de amizade, que vinha com um broche de um anjinho dourado. Com esse tipo de ajuda, Terry não sente necessidade de Jesus.

Sofia

“Sofia, Deus Criador, que teu leite e mel manem… Inunda-nos com teu amor…” entoaram mais de 2000 mulheres reunidas na Conferência da Reimaginação de 1993, em Minnesota. “Celebramos a vida sensual que nos dás… Celebramos nossa corporeidade… as sensações de prazer, nossa unidade com a terra e com a água”, prosseguiu uma das líderes. Representando as grandes denominações, as mulheres vieram da Igreja Presbiteriana dos EUA (cerca de 400 mulheres), da Igreja Metodista Unida (cerca de 400), da Igreja Luterana Evangélica da América (313), da Igreja Unida de Cristo (144), e das igrejas batista, episcopal e Igreja dos Irmãos (cerca de 150). Cerca de 230 eram católicas romanas. Para a maioria dessas adoradoras, Sofia simboliza a sabedoria interna e “a imagem feminina do Divino”. Alegre, permissiva e sensual, ela “tornou-se a mais nova febre entre as mulheres das igrejas progressistas.”

Mãe Terra

Para preparar as meninas escoteiras para uma cerimônia regional de “iniciação na vida adulta”, a líder utiliza imagens orientadas para alterar suas consciências e ajudá-las a visualizar uma “bela mulher” — uma expressão personalizada da Mãe Terra — que será seu espírito-guia por toda a vida. Cada menina pode livremente imaginar a manifestação espiritual que quiser ou acolher o espírito que aparecer, seja ele qual for.

Uma deusa

Sharon cresceu em um lar cristão. Desapontada com a fria resposta de sua igreja às suas preocupações com o meio ambiente, ela se voltou para a feitiçaria. Como seu conciliábulo aceita qualquer expressão panteísta, Sharon simplesmente transferiu aquilo que gostava em Deus para a sua imagem autoproduzida da deusa. Ela descreve seu substituto feminino de Deus como um ser amável e não julgador que preenche toda a criação com sua vida sagrada. Ocasionalmente, essa deusa aparece para Sharon e a reveste com uma luz brilhante e uma presença agradável.

Essas e incontáveis outras mulheres compartilham duas visões radicais: o cristianismo tradicional, com suas restrições bíblicas, está ultrapassado, e novos panoramas ilimitados de emoções e dons espirituais estão em alta. Vale tudo — exceto a verdade e os padrões absolutos de Deus. O amplo guarda-chuva da espiritualidade feminista abrange todas as religiões pagãs do mundo, mas a versão mais sedutora são as atuais distorções populares do cristianismo. A maioria das seguidoras simplesmente recolhe e mistura as “melhores partes” de diversas tradições — suas visões do amor universal de Deus, a filosofia panteísta que está por trás da medicina holística, a meditação budista, a ioga hindu, as “buscas espirituais” dos índios americanos — e então as trazem de volta às igrejas “abertas” e “tolerantes” de hoje.

Portais para a deusa

Lori foi criada por pais cristãos dedicados, porém quando sua professora no colegial a incentivou a explorar diversas tradições espirituais — até mesmo a criar sua própria religião — ela alegremente aceitou o desafio. Fascinada com a combinação neopagã da autora Lynn Andrews do xamanismo dos índios americanos com a espiritualidade da deusa, Lori encomendou de um catálogo uma tenda indígena, armou-a em seu quintal e a utilizou para realizar rituais à luz de velas inspirados pela Wicca (magia branca). Como a maioria dos pagãos contemporâneos, ela aprendeu a misturar diversas tradições em uma expressão pessoal que se ajusta à sua própria busca por poder e “sabedoria interior”.

Beth, uma estudante de Pedagogia e Filosofia, seguiu o mesmo caminho, mas escolheu uma combinação ligeiramente diferente. Durante um almoço na lanchonete da faculdade outro dia, ela me contou que duas estimadas professoras de um colégio supostamente cristão a levaram à feitiçaria e ao lesbianismo.

Eu não fiquei surpresa. Naquela época já sabia que um número exorbitante de mulheres pagãs escolheram a sala de aula como plataforma para ampliar sua fé e transformar nossa cultura. Como o restante de nós, elas desejam construir um mundo melhor — que reflita suas crenças e valores.

Enquanto Beth falava, observei o pingente que ela estava usando. O pentagrama dourado e a voluptuosa miniatura da deusa em uma corrente ao redor do pescoço diziam muito sobre seus valores. Assim também os brincos: dois enormes triângulos rosa apontando para baixo, um antigo símbolo da deusa, bem como um moderno símbolo do lesbianismo.

“- E esse seu pingente? As pessoas sabem o que o pentáculo e os triângulos simbolizam? Elas criticam você por usar uma miniatura da deusa?”

Ela riu. “- Não, não. Aqui, todos são tolerantes com os estilos de vida dos outros; ninguém ousaria dizer alguma coisa.”

Refleti sobre essa afirmação. O que significa ser tolerante — ou intolerante — hoje em dia? Se a intolerância for a postura autocentrada, que despreza as pessoas com valores “diferentes”, ela é errada. Jesus Cristo sempre demonstrou amor e compaixão em relação às mulheres excluídas e maltratadas de seu tempo. No entanto, ele nunca concordou com estilos de vida destrutivos ou com ações que ameaçassem os demais. O que aconteceria com uma cultura que tolerasse tudo? Como essa tolerância afetaria a igreja? Como podemos preparar nossos filhos e netos para resistirem a todas as novas alternativas ao nosso amado Senhor?

Os Caminhos Imutáveis de Deus.

Esta e outras questões cruciais são discutidas no livro A Twist of Faith, de Berit Kjos. Cada capítulo estuda uma frase da oração que Jesus ensinou aos discípulos, e depois mostra como essa mensagem está sendo virada do avesso pela espiritualidade feminista. Seguindo esse modelo, exploramos os principais mitos que estão impulsionando o atual ressurgimento pagão, e as verdades mais essenciais que nos trazem de volta à intimidade com Deus.

Para as mulheres que buscam novas direções, rostos femininos para Deus e uma imagem melhor de si mesmas, o caminho da espiritualidade feminista pode parecer brilhante e promissor. Entretanto, como Peggy, muitas se encontram nas profundezas da confusão e da solidão espiritual assim que a euforia inicial acaba. Algumas ficam presas numa espiral espiritual descendente e da qual não conseguem escapar. Quando já é tarde demais, elas se encontram imersas na opressão e na confusão, em vez de obterem amor e paz.

Uma irmandade global de militantes feministas iradas está ascendendo ao poder

A Conferência Mundial das Nações Unidas Sobre a Mulher, em Pequim, na China, deu uma amostra de sua influência. Ela deu às líderes ordens de marcha destinadas a revolucionar nossos lares, escolas, igrejas, serviços sociais, a sociedade civil e a cultura. Se o movimento feminista receber aquilo que exige, ninguém escapará de sua influência global. Os cristãos norte-americanos enfrentarão o tipo de ódio que trouxe as massas perseguidas às nossas fronteiras, mas não haverá lugar para se esconder além de Cristo.

Conforme observamos essas transformações à luz da sua palavra, Deus nos ajuda a compreender essa crise e a nos prepararmos para o conflito vindouro. Quando confiamos nele e contamos com suas promessas, ele não apenas nos mantém espiritualmente ilesos em um mundo cada vez mais hostil, mas também nos mostra um contentamento e uma vitória apenas possíveis para aqueles que ousam enfrentar a realidade, recusam a contemporização e concentram suas mentes em seguir o sumo pastor das ovelhas.

Muitos caminhos diferentes e distantes do cristianismo estão levando inúmeras pessoas para o reino do Cristo da Nova Era. O feminismo radical é apenas um dos principais caminhos, voltado especificamente para as mulheres da sociedade ocidental. Somente Deus sabe quantas mulheres foram atraídas por essa mentalidade feminista da deusa Mãe Terra, da Nova Era. No entanto, todas as mulheres que foram atraídas por essa filosofia e essa cosmovisão sedutoras precisam compreender que estão caminhando diretamente para os braços do Anticristo!

As igrejas cristãs liberais caíram profundamente nessa mentalidade, especialmente igrejas de denominações protestantes tradicionais. Todas as mulheres que caíram nessa armadilha precisam se dar conta da situação em que se encontram, parar, arrepender-se de seus pecados, e retornar ao Salvador. Como Deus prometeu:

“Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele.” [Jeremias 6:16].

Fonte: Cutting Edge

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Uma resposta to “Como a Espiritualidade Feminista Está Transformando Negativamente a Igreja”

  1. Cara, seu blog e seus artigos são bons, mas voce precisa melhorar a navegabilidade, diminuir o numero de posts na primeira página e tals.
    Boa sorte.

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